Devo me casar? 6 tópicos para conversar antes do “sim”

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Tem muitos motivos que fazem duas pessoas decidirem compartilhar suas vidas de forma mais permanente. Algumas pessoas estão em um daqueles relacionamentos longos, que inevitavelmente vão dar em casamento. Outras, se conhecem, sentem um click, e com alguns meses já estão prontas para dar o próximo passo. Talvez elas decidam fazer uma festa enorme, ou simplesmente juntar as escovas de dentes. Seja como for, estar alinhado com o parceiro a respeito de alguns tópicos fundamentais pode fazer toda a diferença na vida conjugal.

Para ajudar você que está pensando em dar o próximo passo com o seu relacionamento, elencamos aqui 6 conversas para ter com o parceiro antes de pensar em casamento.

Filhos

Logo que você casa, se prepare – vai ouvir de cada um dos parentes, dos amigos, dos conhecidos, da senhora do refeitório da firma, do auxiliar do seu dentista, do guardador do seu carro, do entregador de delivery, dos vizinhos e de absolutamente qualquer um que acha que essa é uma pergunta apropriada:  “e as crianças, quando vêm?”.

Essa é uma pergunta que vem agarrada aquela ideia de família tradicional – duas pessoas se casam, logo, o próximo passo é terem bebês. A coisa é tão introjetada que ninguém escapa – casais héteros, casais LGBTQ+, casais que têm problemas de fertilidade, casais que não tem desejos de ter filhos… Se houver uma mulher de mais de 30 anos no casal, a pergunta provavelmente vem acompanhada de um bem intencionado comentário “logo, né? Porque o tempo tá passando pra você… Sabe como é, o relógio biológico…” 

Mas independente das perguntas e especulações, ter ou não ter filhos é um assunto de imensa importância na vida de um casal, que inclusive afeta muito a vida do casal. Aliás, clique aqui para ler nosso artigo sobre como manter o casamento vivo após a chegada dos filhos.

Não só porque a sociedade vai pressionar vocês, mas porque a continuidade de uma família constitui uma imensa parte do nosso imaginário de final feliz, e muitas das expectativas de sucesso da vida amorosa estão diretamente associadas à ideia de ter um cônjuge, dois filhos e um labrador. 

Mas esse é um sonho que precisa ser compartilhado, assim como o desejo de seguir numa família de dois, sem a adição de crianças, também precisa ser compartilhado. Então, não suponha que seu parceiro tem os mesmos sonhos que você – converse abertamente sobre os desejos e expectativas para a presença ou não de futuros membros na família que vocês estão criando juntos. 

Se vocês concluírem que querem, em algum momento, aumentar a família, é interessante ainda ter outras conversas – tentar filhos biológicos ou adotar, investir em tratamentos de reprodução humana, procurar serviços de barriga de aluguel ou não fazer nada disso, usar métodos anticoncepcionais ou deixar a coisa para o acaso. Se algum dos pais pretende largar o emprego para ficar em casa, se a criança vai ser apresentada para alguma religião, como vão se preparar financeiramente para esse momento, em que momento da vida cada um espera ter filhos… Essas questões têm um enorme potencial de se tornarem gatilhos de conflitos terríveis se aparecerem como surpresa na vida a dois, sendo até mesmo deal breakers para muita gente, então evite esse perigo conversando sobre isso antes de avançar no relacionamento.

Dinheiro

Vocês já ouviram histórias de pessoas que se casaram, e anos depois descobriram que o parceiro estava afundado em dívidas? E aquelas que só descobriram quando se tornaram viúvas com enormes dívidas agora nos seus nomes? Já ouviram falar de casais que se viram sem casa porque aquele apartamento não era exatamente quitado, ou de alguém que se viu subitamente amarrado a uma pessoa que ainda tinha 48 parcelas de um carro importado para pagar? E casais nos quais um tem hábitos financeiros conservadores e o outro não economiza nem o troco do café?

Essas histórias e outras tão assustadoras quanto existem aos montes por aí, como exemplifica esse artigo em inglês da Refinery29.

Muitas vezes isso acontece porque parece antinatural e até mal educado falar e perguntar sobre dinheiro. Pode parecer que o seu interesse no outro é baseado no estado na conta bancária dele, e, caso você esteja em uma posição precária, te coloca em uma posição brutalmente vulnerável falar sobre isso. Contudo, é necessário. 

Alguns casais vão escolher casar em comunhão de bens, outros vão preferir manter contas separadas. Alguns vão preferir juntar 100% da renda e decidir juntos como gastar, outros vão preferir colocar partes proporcionais de fontes de renda desiguais para o uso comum e manter a privacidade sobre como o resto é gasto. Em alguns casos, só um dos cônjuges vai ter uma fonte de renda, em outros talvez um deles venha com bens herdados.

Seja como for, é importante botar em pratos limpos o combinado sobre como vai ser o futuro financeiro da nova família e comunicar de forma muito clara os compromissos que cada um já assumiu financeiramente – ainda que um ou os dois prefiram manter mais privacidade em relação às finanças, é muito importante que os dois entrem em um matrimônio com uma visão muito clara sobre possíveis dívidas, empréstimos e compromissos que, afinal, eles vão assumir também para o nome deles.

Profissão

Falar sobre profissão fala diretamente com o ponto anterior, a receita que entra para uma família que está se formando, mas fala também com emoções e valores mais profundos. Na nossa sociedade estamos muito acostumados a associar nosso valor e nossa auto-estima ao nosso trabalho. Se você ou o parceiro tem planos ou sonhos de mudar de profissão, por exemplo, ou pretendem se aposentar o mais cedo possível, ou nutrem o desejo de uma mudança de rumo, ou mesmo estão dispostos a pausarem o seu progresso profissional por um tempo para que o parceiro invista no dele, mas esperam o mesmo em retorno.

Se um de vocês sonha em deixar a carreira de lado quando tiver filhos, ou se suas profissões são parte integral do senso de valor e felicidade. Se um de vocês tem um emprego mais estável, enquanto o outro nem sempre tem uma renda fixa – tudo isso implica em consequências massivas na vida de cada um, na vida do casal, na fonte de renda do relacionamento, na rotina da família, na escolha de local para morar, etc. Conversar sobre isso antes de decidir dar um passo definitivo pode evitar muita dor de coração e de cabeça mais pra frente. 

Cidade/país

Se você e seu parceiro já moram na mesma cidade, pode parecer natural que o futuro seja continuar nela. Mas talvez seu parceiro tenha por anos alimentado o sonho de mudar para uma pequena cidade de praia depois de se aposentar. Ou talvez você ame a grande metrópole onde vocês moram, mas consideraria se mudar para o fim de mundo se isso fosse representar uma boa oportunidade de trabalho para você.

Talvez um de vocês ache que onde moram não é muito bom para ter filhos, ou tenha planos de se tornar nômade assim que juntar dinheiro o bastante. Talvez um de vocês sempre tenha tido o sonho de alavancar a carreira fazendo um curso no exterior, ou deseje ardentemente voltar para a cidade dos pais. Talvez um de vocês não se importe em morar por um tempo em cidades separadas. Seja como for, entender os desejos e expectativas referentes a onde vocês vão plantar suas raízes é fundamental para sustentar um futuro de felicidade doméstica.

Famílias

Um casamento une duas pessoas, e une também duas famílias. Almoços de domingo, datas comemorativas, envolvimento das famílias na vida do novo casal, prospectos de envelhecimento e adoecimento dos parentes mais queridos, papel dos familiares na vida dos possíveis filhos, até mesmo a relação financeira de cada um dos membros do casal com os seus familiares.

Tudo isso e muito mais são possíveis fontes de estresse e discordância quando um novo núcleo familiar começa a se formar. Mas parentes também podem ser um ótimo sistema de suporte nas fases desafiadoras, e uma relação equilibrada com a família do parceiro pode ser fonte de inesgotáveis alegrias. O segredo do sucesso é,  como com quase tudo na vida a dois, ter uma boa conversa com o parceiro sobre desejos, possibilidades e limites referentes à parentada. 

Deal Breakers

Quem nunca viu a cena clássica de filme ou novela em que a personagem fala para o par romântico “O dia que tu levantar a mão pra mim ou vou embora”?. Isso nada mais é do que uma personagem expondo claramente seus limites intransponíveis.* Em inglês existe essa expressão “deal breaker” para falar de uma atitude imperdoável, algo que derrubaria um acordo.

Quando decidindo unir sua vida à de outra pessoa, vale a pena conversar sobre quais seriam essas atitudes imperdoáveis para cada um de vocês. Pode parecer muito óbvio mas, acredite, os limites de uma pessoa e de um relacionamento são muito diferentes uns dos outros. 

É de se imaginar que ao longo de uma vida conjunta, um e outro terão milhares de comportamentos que serão desagradáveis, e errarão com o parceiro mais do que meia dúzia de vezes. Definir de antemão erros tão graves a ponto de significar um ponto de não-retorno para relação pode ajudar o casal a ficar atento, mesmo quando a relação estiver passando por uma fase ruim.  

Claro, a natureza humana não é previsível. Quantas pessoas você conhece proclamavam que jamais conseguiriam perdoar um caso extraconjugal, mas conseguiram salvar seu relacionamento depois de um, e quantas outras nunca imaginaram que uma quebra de privacidade, por exemplo, era algo que elas não conseguiriam perdoar? Então não é como se essa conversa vá escrever em pedra os limites do relacionamento. Mas que ajuda a trazer clareza sobre o que é essencial no relacionamento, isso ajuda.

É importante lembrar que conforme a vida passa, vocês podem ser surpreendidos com circunstâncias que não era exatamente o que esperavam no momento dessas 6 conversas, e é necessário ter a fluidez e flexibilidade para tomar as melhores decisões conforme os momentos exigirem, lembrando que não só as circunstâncias podem mudar, como vocês certamente irão mudar enquanto indivíduos, e a dinâmica do relacionamento vai mudar também.  Essa lista é apenas um guia para ajudar vocês a começarem a vida a dois na mesma página. Para continuar na mesma página, leia aqui nossas dicas para fazer um casamento dar certo.

 

*Violência doméstica é CRIME e é muito perigoso. Se você sofre ou desconfia que conhece alguém que sofre, ligue 180.