Não sinto vontade de beijar meu parceiro: 18 questões com possíveis causas e soluções

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Como uma mulher bissexual, eu vivi uma longa e diversa jornada com a minha sexualidade: por longos períodos não senti desejo algum, considerei seriamente ser uma mulher assexual ou lésbica que ainda não tinha se descoberto plenamente… 

A realidade é que, na maioria dos casos, os principais motivos para minha falta de libido eram problemas envolvendo a saúde mental ou o fato de que homens héteros realmente não sabem satisfazer uma mulher sexualmente. Algumas vezes era também uma combinação de tudo. E a minha trajetória é mais comum do que a gente imagina, então nós precisamos conversar sobre isso.

Por que você não tem mais desejo sexual pelo seu parceiro (ou qualquer outra pessoa)?

Primeiro, algumas possíveis causas relacionadas a questões fisiológicas:

1. Saúde mental prejudicada

Esse motivo é o mais comum desde que a pandemia começou. Os impactos da pandemia na nossa saúde mental é algo que ainda não conseguimos compreender completamente, mas é generalizado: todo mundo ficou muito mal em algum momento

E pessoas deprimidas muitas vezes ficam sem tesão, é normal. 

Eu fui uma pessoa deprimida ao longo de boa parte da minha vida e costumava dizer para os meus amigos que era alguém “deprimida demais para transar”. A angústia, falta de perspectiva de futuro, tudo isso interfere na nossa capacidade de sentir prazer. Será que é esse o seu caso?

2. Remédio antidepressivo

Por causa de problemas desenvolvidos durante a pandemia, muitas pessoas precisaram começar tratamentos psiquiátricos que incluem o uso de antidepressivos. Eu fui uma dessas pessoas. A sertralina, um antidepressivo super comum, é bastante conhecida por impactar a nossa libido. Essa é uma situação bem delicada porque a depressão também impacta nossa libido, então parece que é um problema sem solução… 

A verdade é que existem outros remédios que costumam impactar bem menos nossa libido e isso precisa ser conversado com nossos médicos. Algumas pessoas ficam com vergonha de trazer o assunto na consulta, mas a libido é muito importante para a nossa vida. Não tem só a ver com sexo, tem a ver com a nossa potência criativa de modo geral.

Se você começou a tomar remédio nos últimos tempos, converse com o seu médico sobre sua falta de libido mesmo que ela já estivesse baixa antes de você ter começado o tratamento.

3. Remédio anti contraceptivo

Os anticoncepcionais também causam alterações hormonais que impactam o nosso desejo sexual. Para além disso, a pílula anticoncepcional está relacionada com outros inúmeros riscos de saúde à mulher, como trombose e coágulos. Se você toma o remédio há muitos anos, considere outras opções como o DIU de prata/cobre ou a camisinha mesmo. 

Veja se após ficar uns 3 meses sem usar, você não nota uma melhora considerável da libido. Eu aposto que irá!

4. Consumo inadequado de drogas

Eu notei um aumento considerável no consumo de drogas entre os meus amigos mais próximos desde o ano passado. Parece ser algo generalizado, também em consequência do impacto da pandemia na nossa vida. O fato é que algumas drogas interferem bastante na nossa capacidade de sentir prazer físico, principalmente o álcool e outras drogas mais pesadas. 

Sei que muitas pessoas acabam se tornando dependentes químicas devido a uma saúde mental fragilizada e por isso não conseguem ficar muito tempo longe do vício, mas experimente cuidar da sua saúde mental de uma forma diferente por alguns dias ou semanas, sem fazer nenhum consumo de drogas nesse período e veja se não sentirá uma melhora na sua libido.

5. Baixa testosterona

Algumas vezes uma disfunção hormonal está causando uma baixa na nossa testosterona e nós nem fazemos ideia do motivo. Conversei sobre isso com a minha médica antes de decidirmos suspender ou mudar de antidepressivo e ela sugeriu que eu fizesse um exame de sangue, para avaliar o nível da testosterona. Uma vez retornei de viagem da Índia e me senti muito abalada, sem energia e sem libido. Achei que estava entrando em um quadro depressivo novamente, mas era um tipo de verme que eu tinha pegado na viagem que estava causando esse quadro e um simples vermífugo resolveu a situação. Considere fazer um check up completo, a falta de libido pode ser sintoma de algo maior!

6. Menopausa

Eu ainda não passei por isso, mas já me relacionei com mulheres mais velhas e vi o impacto que a menopausa causa na libido. Dependendo da sua idade, é importante considerar essa possibilidade também!

Agora vamos considerar alguns aspectos mais físicos e/ou emocionais para a falta de apetite sexual:

7. Bloqueio ou falta de envolvimento emocional

Eu não consigo sentir tesão por alguém que não me desperta nenhum tipo de sentimento mais forte. Eu preciso de envolvimento emocional, sabe? E às vezes eu estou bloqueada: estou sofrendo por alguém, estou traumatizada com alguma situação, magoada com meu companheiro… Se o emocional não estiver bom, o físico acompanha. E acho que devemos sempre respeitar esse bloqueio e não nos cobrarmos nada! 

Busque identificar a fonte desse bloqueio ou simplesmente aceite que você precisa de um envolvimento emocional maior para sentir tesão. Comunique isso para seu parceiro e para as pessoas que você se relaciona e espere o momento em que o seu emocional estiver preparado.

8. Seu parceiro não sabe te satisfazer direito

Homens heterossexuais em geral, principalmente se forem mais novos e inexperientes, simplesmente não sabem dar prazer a uma mulher. Durante a minha adolescência e início da vida adulta esse foi um grande problema para mim. Eu me perguntava constantemente “será que eu sou lésbica ou os homens que não sabem transar?” e a verdade era que os homens não sabiam mesmo. Eu estava tão exausta de experiências negativas que eventualmente desisti e passei a acreditar que eu era frígida.

As pessoas, de modo geral, possuem uma relação muito torta com a própria sexualidade: não se conhecem direito, encaram o sexo como uma reprodução do que assistem no pornô, fazem sexo por obrigação e muitas vezes estão simplesmente performando uma ato sem entender que o sexo é uma prática criativa única entre duas pessoas e que pode ser completamente diferente de tudo aquilo que encontramos na indústria do sexo: uma indústria que cria padrões artificiais.

Minha dica para você é se relacionar com homens bissexuais ou homens que não possuem a masculinidade tão frágil, que já buscaram explorar a sexualidade deles de outras formas e de preferência que não consomem pornografia. 

O que nos leva ao próximo ponto:

9. Você ou seu parceiro consomem muito pornô

A pornografia é extremamente prejudicial para a nossa sociedade, de inúmeras formas. Talvez no futuro eu escreva um artigo inteiro sobre isso. Mas o ponto é que ela cria uma falsa expectativa de como o sexo deve ser ou se parecer… E, pior: é muito fácil ficar viciado em pornografia. Quando assistimos demais, vamos dessensibilizando nosso corpo e nossa mente, e ficamos cada vez mais dependentes de ações mais “extremas” para conseguirmos nos excitar. 

Se o seu parceiro consumir pornô demais, ele pode estar tentando reproduzir aquilo que ele vê na tv ao se deitar com você, mas o pornô não é feito para ensinar como dar prazer para as mulheres e é preocupante que essa seja a única forma de “educação sexual” de muitas pessoas. Tente propor uma desintoxicação da pornografia e veja se a libido de vocês não melhora.

10. Você não conhece bem seu corpo ou o que te dá prazer

Mulheres são muito reprimidas sexualmente ao longo da vida pela sociedade machista e isso impacta nossa vida sexual. Muitas vezes nos sentimos culpadas de explorar nossa sexualidade, de nos tocarmos, de buscarmos nosso próprio prazer. Somos ensinadas que o prazer do homem importa mais que o nosso, colocamos toda nossa dedicação em satisfaze-los e nos preocupamos mais com o prazer deles do que o nosso. Eventualmente, ficamos exaustas. O sexo para de ter tanta graça quando é só sobre o pênis do nosso parceiro. É muito esforço para pouca recompensa. E se nos acostumamos com essa situação, acabamos sem descobrir o que nos dá mais prazer. O que nos satisfaz. 

Eu passei por uma crise dessas no auge dos meus 25 anos. E eu tenho uma vida sexualmente ativa desde os 15. E eu não sabia mais o que me dava prazer. O que eu gostava de fazer na cama com um homem? E com uma mulher? E sozinha? Eu não sabia responder essas questões e, sem auto conhecimento de fato ficava mais difícil ter prazer na cama.

11. Você não se sente mais atraída fisicamente pelo seu parceiro

Pessoas mudam fisicamente ao longo do tempo. Mudam de estilo, cortam o cabelo, ficam carecas, emagrecem, engordam… Muitas transformações físicas podem acontecer. Quando amamos uma pessoa e desenvolvemos uma relação bonita e longeva, é comum que sigamos atraídos fisicamente, porque outros elementos na relação despertam nosso tesão, mas algumas vezes nós realmente nos atraímos por certo padrão físico e não podemos evitar. 

Eu, por exemplo, tenho uma atração muito grande por homens de cabelo comprido. Por mais apaixonada que eu esteja por uma pessoa, se ela resolver cortar o cabelo curto, o meu tesão por ela irá diminuir drasticamente (ou até mesmo desaparecer por completo).

Se a relação não me proporcionar tesão de outras formas, eu irei perder a vontade de transar. Eu consumo as pessoas esteticamente, então a aparência estética realmente importa para mim. Muitas vezes o seu companheiro tinha um estilo que te atraísse e que ele tenha mudado nos últimos anos… Analise o impacto disso na sua libido e veja se não é algo que pode ser conversado entre o casal.

12. Você é lésbica/bissexual/assexual

A pergunta de um milhão de dólares. Será que você simplesmente não gosta de homem? Mas poxa vida, você já teve aquela experiência com uma mulher na época da escola e foi péssima, então você tem certeza que não é lésbica.

É engraçado como chegamos a conclusões esquisitas, né? Quantas vezes você se relacionou com um homem e não foi bom, mas você não pensou logo na sequência que simplesmente não gostava de “homem”. Você entendeu que não era bom com aquela pessoa, mas eventualmente se relacionou com outros homens e foi ótimo. Mas quando você teve aquela única experiência com uma mulher e foi ruim, você concluiu que não gosta de mulheres. Parece incoerente né?

Nossa sexualidade é fluida e também muda com o tempo. O que te atrai aos 21 anos de idade provavelmente vai ser diferente do que irá te atrair aos 28 anos e do que te atraía aos 16. Às vezes você deixou de gostar de homens mesmo, acontece. É mais comum do que você pensa. Às vezes você é assexual também. 

Seja o que for, respeite sua sexualidade e busque vivê-la plenamente, sem LGBTfobia internalizada, sem medo de ser feliz.

Ah, e confira os artigos que produzi aqui e aqui sobre bissexualidade.

O que fazer para resolver?

1. Consulta ao médico

Caso tenha identificado alguma das 6 questões iniciais envolvendo alterações fisiológicas, o primeiro passo é consultar um médico. Cheque a necessidade de iniciar um tratamento psiquiátrico, de ajustar remédios, de solicitar exame médicos e de pedir solicitações de psicólogos também. Nossa cabeça precisa estar em dia para termos uma vida sexual plena!

2. Exame de sangue

Para além do psiquiatra, faça um check up completo de saúde! Cheque o exame de sangue para ver como estão os hormônios e consulte um endocrinologista para garantir que a falta de libido não é um sintoma de algo ainda mais grave.

3. Suspenda ou troque de remédios

Se você fizer uso de pílula anticoncepcional, apenas suspenda por uns 3 meses e veja a diferença. Caso seja algum remédio controlado, não faça nada sem antes consultar seu médico.

4. Compre um vibrador

O vibrador pode ser um grande amigo nesse momento de auto descoberta do próprio corpo: quais são os estímulos que mais te dão prazer? Como você gosta mais? Com que intensidade? Ao ter essas respostas sobre si mesma, todas as suas experiências sexuais irão melhorar e, no caso de baixa libido, será mais fácil identificar a razão exata na próxima vez!

5. Explore sua sexualidade

Estar num relacionamento monogâmico numa situação dessas não é bom. Você precisa ser livre para explorar sua sexualidade de todas as formas que sentir necessário para se conectar bem consigo mesma e entender como o sexo funciona para você.

Como uma pessoa bissexual, as possibilidade são infinitas: o que te atrai num homem? O que te atrai numa mulher? O que te atrai em uma pessoa não-binária? Como você gosta de se relacionar com cada genitália? E, para além do toque físico, o que te estimula? Você gosta de transar com a luz acesa ou apagada? Com trilha sonora ou sem? Conversando besteira no ouvido ou só com o barulho dos corpos e da respiração?

Visualmente, como você gosta da expressão de gênero de um homem? Eu gosto de homens femininos, que usem maquiagem, vestidos, saias… Gosto de mulheres que se vistam de forma mais masculina, com camisa de botão e calças mais largas… Gosto de todos com cabelo comprido, gosto de ver o cabelo caindo na cara, gosto do cabelo preso num coque… Gosto de acumular o tesão, de longas conversas interessantes, de estar estimulada intelectualmente e emocionalmente envolvida. Gosto de me carinho, de me sentir amada, desejada, admirada.

Você se conhece tão bem quanto eu me conheço ou não tem ideia do que você gosta?

6. Leia contos eróticos feministas

A melhor forma de descobrir o que nós gostamos é entender o sexo como uma criação artística e consumirmos conteúdo erótico literário. Histórias eróticas narradas em áudio também funcionam legal para estimular nossa criatividade e desintoxicar nossa cabeça, tão bombardeada com imagens de sexo nas redes sociais (e fora delas). Eu recomendo a leitura dos contos da plataforma SYS, disponibilizada de forma gratuita. Os áudios também são muito bons, mas é preciso pagar o valor de 19 reais mensais pela inscrição na plataforma. Os contos de Tereza Fala de Sexo também são incríveis e você pode acessar a partir de 7 reais mensais.

Essa não é uma lista exaustiva de motivos pelo qual você está com baixa libido e não quer mais se relacionar com o seu parceiro ou com qualquer outra pessoa, mas é um excelente começo. Tenha paciência nesse momento e priorize a questão: nossa libido está ligada a nossa prática criativa e é fundamental para uma vida saudável e equilibrada.