14 reflexões para fazer antes de se envolver com alguém com filhos

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“Se tá na internet é porque é verdade”, não é assim o meme?

Quando se trata de perguntas e reflexões para se fazer antes de se envolver com uma pessoa com filhos, a resposta é um retumbante “não”.  Não com força! 

Como eu já comentei anteriormente, eu sou filha de pais separados, e confesso que fiquei chocada ao olhar as dicas que estão sendo dadas por aí. Desde “não se envolva para não ter trabalho com as crianças” a “seja assertiva em garantir que VOCÊ está em primeiro lugar”, passando por “aceite que você não vai ter um relacionamento normal” e “cuidado que a mãe dos filhos vai atrapalhar seu relacionamento”.

Não à toa existem tantas madrastas malvadas por aí com esse tipo de informação, não é mesmo?

Para ajudar, resolvi elencar aqui algumas reflexões que valem a pena ser feitas antes de se envolver com uma pessoa que já tem filhos

Inegavelmente são circunstâncias diferentes se envolver com alguém que tem filhos e com quem não tem. Não baseado em “o seu relacionamento não vai ser normal” (até porque, convenhamos, quem é a comissão que decide o que é um relacionamento normal e o que não é?), mas porque além de você e do(a) parceiro(a) tem serumaninhos vulneráveis que serão afetados por essa relação, então é legal entrar nela com os olhos bem abertos. 

Você conhece as circunstâncias da parentalidade das crianças?

É provável que você precise lidar com a presença do(a) ex na vida do parceiro.

Não tem jeito, se duas pessoas têm filhos juntas e resolvem continuar ambas sendo parte da vida dessas crianças, necessariamente o(a) ex do seu parceiro vai ser uma presença constante na vida dele e, possivelmente, na sua também. Muito se falava sobre a mãe dos filhos que faria de tudo para conseguir o marido de volta. Eu gosto de acreditar que no século 21, com a gradual desconstrução dos ideais de competição feminina que a sociedade tanto alimentava, essa ideia está ficando para trás.

Contudo, é preciso encarar o fato de que seu par vai conviver e conversar com a mãe/o pai dos filhos, e que vocês três terão de coabitar em eventos como aniversários e outras datas comemorativas. Talvez valha a pena conversar com o parceiro antes de dar o próximo passo na relação para entender como foi o fim do relacionamento com o(a) pai/mãe dos filhos dele e como é a atual relação deles. Vale se perguntar também se você está disposto a viver essa relação sem sofrer (e surtar) de ciúmes a todo momento. Nesse cenário, caso seu relacionamento dê certo, eventualmente vai ser preciso entender e navegar também a sua relação com essa outra pessoa e, quem sabe, você pode até acabar se dando bem com essa pessoa que é uma parte integral da vida do seu par.  

Mas se o outro genitor não estiver presente, a(s) criança(s) terão dependência total de um genitor só.

Neste ano, mais de 100 mil crianças no Brasil não têm o nome do pai na certidão de nascimento, segundo essa reportagem da CNN Brasil, e mais um tanto outro de crianças tem o nome do pai no registro, mas não tem essa figura presente na vida. Se você está se relacionando com uma mulher que é mãe, existem grandes chances de ela ser a única cuidadora, ou cuidadora primária, dos filhos que ela tem. Se você está se relacionando com um homem que é pai, o mais provável é que ele divida a parentalidade com uma mãe, mas, é claro, existem exceções. 

O fato é que se o seu parceiro é o único responsável pela criança, você não terá que lidar com essa terceira pessoa, mas terá de lidar com uma presença ainda mais intensa e dependente dos enteados na sua vida, afinal, se os filhos dependem só do seu parceiro, a responsabilidade e comprometimento dele serão ainda maiores. 

Independência e sobrevivência

É importante levar em conta que os tipos de amor são diferentes e que a sua relação com os filhos do parceiro não é e não deve ser nunca de competição. Mas, enquanto todo relacionamento é uma construção, o relacionamento de um pai ou uma mãe com seus filhos é também sobre sobrevivência. É simples assim – existem pessoas que dependem do seu par para SOBREVIVER. É claro e natural que essa carga vá fazer com que, muitas vezes, os filhos sejam prioridade na vida do parceiro, e tá tudo bem. Você consegue encarar isso sem achar que diminui o amor ou valor no seu próprio relacionamento com esse parceiro?

A sedução é dupla.

Se você decidir que quer se envolver com essa pessoa que já tem filhos, a sedução que você precisa praticar é dupla – além de conquistar o amor da pessoa por quem você está se interessando, é preciso também conquistar o respeito dos filhos dela. 

É claro, isso não é uma regra. Muitas pessoas que têm filhos não levam em consideração a opinião deles sobre seus parceiros, e, na verdade, muitas vezes criança nem é considerada gente, com direito a ter opiniões e tudo mais. Mas, muitas vezes também, as relações de parentalidade que existem por aí são abusivas, e relações madrasta/padrasto com seus enteados são extremamente conflituosas. Não é nesse tipo de relacionamento que estamos mirando, não é mesmo?

Se o parceiro que você deseja tem uma relação de amor e respeito com os filhos, pode apostar que se a relação entre você e os ditos filhos for antagônica, ela vai ficar muitas vezes no caminho do seu namoro. 

Imprevistos

Não tem jeito, a vida com crianças não segue nossos planejamentos à risca. Às vezes é uma gripe que atrapalha uma viagem de fim de semana romântico, ou um febrão que antecipa a volta de um cinema. Às vezes é uma queda na escola que cancela um programa, ou uma birra que faz o passeio acabar. Às vezes é uma mudança de planos que traz uma atividade igualmente divertida mas, ainda sim, diferente da que estava planejada. Para se relacionar com uma pessoa que tem filhos é preciso estar disposto a deixar fluir de vez em quando, e dançar conforme a banda toca. Você estaria disposto a deixar a vida te levar com um pouco mais de leveza do que a vida adulta exige?

Mais planejamento – menos espontaneidade

Por outro lado, por mais irônico que possa parecer, a vida com crianças exige mais planejamento. Talvez não dê para fazer uma viagem espontânea para passar o fim de semana numa cidade ao lado, porque para isso seria preciso combinar com o outro genitor os cuidados com os filhos, e talvez não dê para emendar o jantar com uma sessão coruja do cinema, porque se não vai passar demais da hora de dormir. Muitas vezes os passeios precisam levar em conta o cronograma de quem vai cuidar dos filhos em cada data, no caso de guarda compartilhada, os horários e necessidades da criança, se ela for estar junto no programa, ou combinados com o sistema de suporte. Mas calma – dá para planejar também momentos para ser espontâneo. Que tal?

Horários e programas diferentes

Muitas vezes os horários e dias da semana de quem tem filhos são diferentes. Vai depender de muitas circunstâncias, inclusive do esquema de guarda das crianças e da idade delas. Por exemplo, se seu parceiro mora em uma cidade diferente dos filhos, possivelmente os feriados e férias não vão ser tão livres assim. Ou talvez no acordo com o ex parceiro, tenha ficado estabelecido que os fins de semana são do seu par, e aí os dias de semana vão ser melhores opções para um netflix and chill. Pode ser que não tenha outro genitor presente na figura, e aí provavelmente seu parceiro vai ter dificuldades de ficar fora de casa até muito tarde, e por aí vai. 

Relacionamentos mais sérios antes de apresentar pros filhos

É muito comum que pessoas que já têm filhos busquem relacionamentos mais sérios e duradouros (novamente acho importante frisar – é claro que isso não é uma regra). O que costuma acontecer é que crianças precisam de segurança e estabilidade, e pais e mães costumam ser reticentes em passar por todo o processo de apresentar alguém para seus filhos, introduzindo essas pessoas na vida da família, sem que tenham um desejo de se comprometer com essa relação.  Você e o parceiro estão na mesma página sobre o comprometimento com a relação?

Corações a mais para partir

Parte do desejo de só apresentar para os filhos pessoas com quem há a expectativa de construir um futuro junto é porque uma vez que os filhos do parceiro criem uma relação com você, eles também sofrerão se a relação acabar. Você está pronto para dar uma chance para esse relacionamento, sabendo que têm mais corações em jogo além do seu e do parceiro?

Uma pessoa a mais para amar e ser amada

Por outro lado, há mais a se ganhar também. Vejo muito nessas dicas de internet os filhos do parceiro sempre como fardos em uma relação. E mesmo aqui, estou levantando reflexões que muitas vezes indicam desafios que um relacionamento pode passar se um dos membros já tiver filhos. Mas você já parou para pensar que tudo isso é sobre uma ou mais pessoinhas, que têm personalidades, e senso de humor, e defeitos, e qualidades, e com quem você pode acabar desenvolvendo uma relação realmente legal e construtiva? E se no pacote, além do amor da sua vida, você acabar arrumando mais alguém para amar e para te amar de volta?

Impacto financeiro

Não tem jeito – ou o parceiro que você deseja é o cuidador primário do(s) filho(s) e, assim, arca com o bruto dos gastos que crianças trazem, ou ele não é o cuidador primário e, por lei, colabora com uma pensão para a criação dos filhos. Seja como for, um namorado que tem filhos é uma pessoa que tem um compromisso financeiro assumido por pelo menos duas décadas. Assim como algumas pessoas entram em um relacionamento com um apartamento financiado para ser pago em até vinte anos ou um carro que ainda tem várias prestações à pagar, e esses são compromissos que devem ser considerados antes de duas pessoas evoluírem para o próximo nível em uma relação (falamos mais disso aqui, no artigo sobre conversas para ter antes de decidir se casar com uma pessoa), é importante também considerar o impacto que esse compromisso com os filhos terá na hora de pensar um futuro conjunto para você e o parceiro. 

Você quer ter filhos no futuro? Essa pessoa quer ter mais filhos?

Em um relacionamento, frequentemente comunicação é tudo (inclusive, é a nossa primeira dica nesse artigo aqui sobre como fazer para um casamento dar certo), e aqui não é diferente. Ter tido ou não filhos no passado não quer dizer que a pessoa vai querer ou não ter mais filhos no futuro – mas se ter (ou não ter) filhos é importante para você, não deixe de conversar sobre isso com o seu parceiro. 

Não necessariamente a experiência vai ser igual se você tiver filhos com essa pessoa

Se você e o parceiro concluírem que desejam sim ter filhos juntos em algum momento do futuro, até pode ser que acompanhar a experiência dele com os filhos que ele já tem te dê pistas sobre que tipo de pai ou mãe seu parceiro é, mas não quer dizer de forma alguma que a criação dos filhos que vocês venham a ter juntos vá ser igual. Como madrasta ou padrasto a sua influência e o seu papel de criação vão depender muito da relação do parceiro com as crianças, da relação do outro genitor com as crianças, da sua relação com o parceiro, e dos limites que ele, você e as crianças estabelecerem nessa relação.

Contudo, com os seus filhos a liberdade de escolhas e influência tende a ser inerentemente maior. Então, se existem escolhas que você não super ama na criação dos seus enteados, mas sobre as quais você não tem poder de decisão, não é preciso se desesperar. 

(Criar filhos em conjunto pode ser muito desgastante para um relacionamento. Pesquisas indicam que 1 a cada 5 casais se separam até um ano depois da chegada do primeiro filho. Por isso elencamos aqui algumas dicas para ajudar o casamento a sobreviver à chegada dos filhos)

Maior senso de responsabilidade e clareza do que deseja num relacionamento

Esse é um ponto positivo que eu raramente vejo sendo dito quando se fala sobre relacionamentos com pessoas que já têm filhos. Ser responsável pela vida de outras pessoas é uma experiência revolucionária, e que coloca muita coisa em perspectiva. Por sua vez, escolher não continuar com a pessoa com quem essa parentalidade é dividida vai contra tudo que a sociedade ensina para gente sobre finais felizes. Então é muito provável que uma pessoa que passou por essas experiências e fez essas escolhas seja uma pessoa com muito mais clareza sobre o que ela deseja em um relacionamento, bem como com um maior senso de responsabilidade afetiva, do que a maior parte das pessoas que não passou por experiências semelhantes. E como é melhor se relacionar com alguém que sabe o que quer, e quer você, não é mesmo?

Aqui estão as considerações! Espero que elas te ajudem a entender se deseja ou não seguir nesse relacionamento. Se você decidiu que está a fim de encarar, e quer garantir que vai acertar o máximo possível com os serumaninhos, dá uma olhadinha aqui no nosso artigo “10 dicas para não errar na hora de lidar com os enteados”.