15 Mitos e verdades sobre a bissexualidade

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Você, mulher, já sentiu atração por outra mulher? Já questionou sua sexualidade?

Em setembro se comemora o mês da visibilidade bissexual e por isso reuni alguns mitos e verdades sobre a letra mais invisibilizada da sigla LGBT+:

Será que você também é bissexual?

1. O que é bissexualidade?

A bissexualidade é uma orientação sexual que surgiu como movimento organizado no final dos anos 80 para representar as demandas específicas de pessoas LGBT+ que se relacionavam ou sentiam desejo por mais de um gênero!

Para saber mais sobre a história do movimento, confira esse vídeo da ativista estadunidense legendado Verity Ritchie abaixo (o vídeo possui legendas em português!)

 

2. A bissexualidade é só uma fase?

Esse é um mito muito comum sobre a nossa sexualidade: a ideia de que eventualmente escolheremos ‘um lado’ e nos tornaremos simplesmente heterossexuais ou homossexuais. 

Isso acontece porque vivemos num mundo monogâmico que entende a sexualidade também de forma mono. Ou seja, uma pessoa bissexual é normalmente vista como alguém confusa ou promíscua, que não se decide. Mas quando uma pessoa bissexual inicia um relacionamento monogâmico, ela não deixa de ser bissexual

Assim, desbancamos o próximo mito:

3. Deixo de ser bissexual quando me apaixono por alguém ou começo um relacionamento?

A sexualidade de uma pessoa tem a ver com a sua capacidade de atração, não apenas com a sua prática sexual. Você já se sentiu atraída sexualmente por mais de um gênero?

Então você é bissexual.

Você não descarta a possibilidade de um dia se atrair por mais de um gênero?

Então talvez você seja bissexual.

Independente de por quem você esteja apaixonada ou com quem esteja se relacionando hoje, sua sexualidade continua sendo bissexual.

4. Bissexuais são homossexuais que não se aceitam totalmente?

Não. A pessoa bissexual tem desejos legítimos sempre que se atrai, independente do gênero da pessoa que lhe atraiu. Ela também não é obrigada a eleger nenhum dos gêneros para se relacionar exclusivamente ao longo da vida.

Entretanto, por causa do ceticismo que as pessoas bissexuais sofrem – inclusive dentro da própria comunidade LGBT – é comum que muitos bissexuais se sintam pressionados a viver uma vida monossexual (como gay, lésbica ou heterossexual).

5. Bissexuais são promíscuos e/ou indecisos?

Em 1990 foi publicado o primeiro “Manifesto Bissexual” por um grupo de bissexuais organizados nos Estados Unidos. Esse estigma sobre promiscuidade e indecisão já era uma questão debatida e rejeitada pelo grupo:

Não presuma que bissexualidade seja binária ou não-monogâmica por natureza: que temos “dois” lados ou que devemos nos envolver simultaneamente com ambos os gêneros para sermos seres humanos completos (…) Não confunda nossa fluidez com confusão, irresponsabilidade, ou incapacidade de ter compromisso. Não iguale promiscuidade, infidelidade, ou comportamento sexual inseguro com bissexualidade. Esses são traços humanos que cruzam todas as orientações sexuais. Nada deveria ser presumido sobre a sexualidade de qualquer um, incluindo a sua.

6. Bissexuais têm mais chances de trair o parceiro ou a parceira?

Esse mito está relacionado com o ponto anterior: nossa sexualidade não diz nada sobre nosso caráter. Pessoas bissexuais podem trair tanto quanto qualquer pessoa homo ou hétero. A infidelidade não é um ato justificado pela sexualidade de ninguém

7. Bissexuais são vetores de doença?

Durante a epidemia da AIDS nos Estados Unidos, pessoas bissexuais foram descriminadas e responsabilizadas pela transmissão do vírus: os homens bissexuais estariam trazendo o HIV para suas parceiras héteros e as mulheres bissexuais estariam espalhando o vírus dentro da comunidade lésbica.

O vídeo abaixo da ativista Verity Ritchie (também legendado!) explica que essa afirmação não tem nenhuma base material: não existe nenhuma evidência que comprove a relação entre a prática bissexual e a maior disseminação do vírus HIV.

 

Justamente por carregarem esse estigma, as mulheres bissexuais que conheço costumam ser as mais conscientes em suas práticas sexuais e no cuidado contra as ISTs, visitando regularmente os CTAs (Centros de Testagem e Aconselhamento) do SUS.

8. Ser bissexual é estar no grupo de risco para ISTs/AIDS?

Também não. Esse pensamento busca novamente relacionar uma sexualidade com a transmissão de doenças, mas práticas sexuais arriscadas existem independente da sexualidade de quem pratica.

Como sociedade, o que podemos fazer de melhor no combate contra as ISTs é nos engajarmos na luta contra todas as formas de opressão sistemática.

Quando discriminamos as práticas sexuais LGBTs, obrigamos as pessoas a viverem suas sexualidades dentro da marginalidade, de forma escondida. E nada mais propenso a disseminação de doenças do que a ignorância, correto? 

9. A vida do bissexual gira em torno do sexo?

Práticas sexuais diversas existem independente da sexualidade de seus praticantes. Existem bissexuais, dentro de relacionamentos monogâmicos ou não, que terão pouquíssimos parceiros sexuais ao longo da vida e existem pessoas monossexuais – homo ou hétero – que terão uma vida sexualmente mais ativa.

Atrelar a vida do bissexual com qualquer aspecto de promiscuidade é mais uma manifestação da bifobia que nós bissexuais enfrentamos.

10. O que é bifobia?

Bifobia é como nomeamos o preconceito experienciado exclusivamente por pessoas bissexuais. No vídeo abaixo, o ativista Nick Thomás fala um pouco sobre os três pilares da bifobia: apagamento, não-pertencimento e objetificação.

11. Qual a importância da visibilidade bissexual?

Desde a publicação do Manifesto Bissexual em 1990, já encontramos a reclamação da comunidade bi sobre a falta de representação sofrida:

Estamos cansados de sermos analisados, definidos e representados por outras pessoas que não nós – ou pior ainda, nem sermos considerados. Ficamos frustrados com o isolamento e a invisibilidade impostos por aqueles que esperam que escolhamos uma identidade homossexual ou heterossexual.

A invisibilidade causa impactos severos na saúde mental de pessoas bissexuais, porque todos nós precisamos de validação e reconhecimento para a manutenção do nosso bem estar. Quando não nos vemos representados, nos sentimos isolados e entendemos – erroneamente – que nossa realidade não é possível.

É um sintoma da bifobia bastante violento.

12. Bissexuais têm mais problemas de saúde mental?

Sim. Já existem algumas pesquisas que apontam que pessoas bissexuais sofrem mais de ansiedade e depressão do que pessoas monossexuais, além de terem mais ideações suicidas. Uma investigação científica conduzida no Reino Unido concluiu que, em relação às mulheres lésbicas, as bissexuais tem 64% mais chance de enfrentar algum distúrbio alimentar, 37% mais chance de sofrer com automutilação e estão 26% mais propensas a sofrer com quadros de depressão.

Por isso, se você se entende como uma pessoa bissexual, é importante ficar atenta com a sua saúde mental e considerar fazer terapia sempre que possível.

13. Bissexuais são mais infelizes por viverem uma vida incompleta?

Os problemas de saúde mental enfrentados pela comunidade bissexual são uma consequência da bifobia que nós sofremos. Não vivemos uma vida incompleta quando nos relacionamos com apenas um dos gêneros, mas temos nossa sexualidade invalidada sempre que nos relacionamos com apenas um dos gêneros – e isso nos adoece mentalmente.

Pessoas preocupadas com o bem estar de bissexuais devem se engajar na luta contra a bifobia.

14. Também sou bissexual se sinto atração por pessoas transgênero?

Sim. Algumas pessoas pensam que o prefixo “bi” significa apenas “dois” – no caso, homem e mulher. Mas a bissexualidade, enquanto movimento histórico organizado, nunca foi entendida como uma identidade binária e sempre incluiu pessoas trans e não-binárias (o vídeo apresentado no ponto 1 fala muito bem sobre isso!). 

Da mesma forma, pessoas monossexuais também podem se sentir atraídas por pessoas transgênero e não-binárias.

15. Qual diferença entre bissexualidade e panssexualidade?

Por causa do entendimento errôneo de que bissexuais se relacionavam apenas com pessoas cisgêneras, fruto de um desconhecimento histórico gerado justamente pelo apagamento da bissexualidade dentro do movimento LGBT, algumas pessoas passaram a acreditar que o termo “panssexual” seria mais adequado para designar essa sexualidade. 

Na realidade, a diferença entre bissexualidade e panssexualidade é apenas de entendimento político e forma de organização das nossas pautas: a prática sexual é (potencialmente) a mesma.

Algumas pessoas podem preferir um termo ou outro por diversos motivos, mas é importante entendermos que, independente de como nomeamos nossa identidade, a luta de pessoas bis e pans é a mesma.

O ativista Nick Thomás organizou uma guia com publicações excelentes sobre a diferença entre os termos bi e pan:

 

 
 
 
 
 
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Uma publicação compartilhada por Nick Thomás (@nicknagari)

Ainda na dúvida sobre sua sexualidade?

Não tem problema! Não existe uma “essência” inerente a nenhuma das orientações sexuais. Afinal, pessoas não nascem hétero, homo ou bissexuais: as identidades sexuais são frutos de um entendimento político e cultural.

O rótulo só é útil para uma comunidade como ferramenta de organização política. Não é algo para nos causar angústia nem sofrimento emocional.

Então, por quê você quer descobrir sua sexualidade? Você pretende se organizar coletivamente? Nós podemos nos organizar em torno da causa LGBT+ independente de como nos declaramos e muitos militantes do movimento bissexual também rejeitaram o rótulo ao longo da vida! 

Então, sabe qual a melhor forma para você descobrir sua sexualidade? Vivendo!