9 dicas para melhorar a comunicação no relacionamento

We sometimes include products we think are useful for our readers. If you buy through links on this page, we may earn a small commission. Read our affiliate disclosure.

Quantas vezes nos vemos dando voltas e voltas em um mesmo assunto que parece nunca ir a lugar nenhum? Quantas vezes, em uma discussão com uma pessoa querida, parece que cada um tá falando uma língua? Quantas vezes nossas discussões com quem amamos, de fato, resultam em alguma mudança?

A velha máxima é verdadeira – comunicação é tudo. Mas nos comunicarmos de forma efetiva não é algo que a gente aprende lendo livros e manuais, tampouco aprendemos na escola. É preciso aprender vivendo as relações, mas nem sempre isso acontece. Pelo contrário, costumamos aprender com a vida a guardar nossas vulnerabilidades, atacar ao nos sentirmos ameaçados e tentar vencer sempre. 

O que chamamos de comunicação efetiva?

Dizem que para fazer um bom diálogo em um roteiro, os personagens que estão conversando precisam ter objetivos opostos em cada uma das cenas de diálogo, ainda que tenham um mesmo propósito final na narrativa.  Muitas pessoas vivem a vida e as interações com os outros dessa mesma forma – se colocando, instintivamente, em oposição ao que está sendo dito. Se a conversa se tratar de uma discussão de relação, de uma situação chata, de uma mágoa antiga, de uma sugestão de mudança de atitude, ou de algo que o valha, é ainda mais fácil que os envolvidos assumam rapidamente a posição de ataque/defesa.

O problema é que estamos falando de conversas, não de um jogo de queimada. Uma conversa, ou mesmo uma discussão, não é (ou não deveria ser) sobre vencer. Porque se existe um perdedor, quem sai perdendo mesmo é a relação. 

Uma das ferramentas mais eficientes para melhorar o relacionamento é melhorar a comunicação. É aí que entra a ideia de se comunicar com o outro da forma mais clara possível. Então, vamos aos pontos básicos:

O que é não é comunicação efetiva:

Uma comunicação efetiva não quer dizer sair falando tudo que der na telha. Não é botar tudo que está te incomodando para fora, nem desembestar a falar dos problemas ao deitar a cabeça no travesseiro porque você leu em algum lugar pra jamais ir dormir brigado. É claro que é super legal se propor a não deixar as brigas e desentendimentos se estenderem, mas se necessário, pode dormir brigado sim, porque…

…uma comunicação efetiva é feita fora da hora da raiva.

Para a gente se comunicar de forma clara sobre nossos desejos, frustrações e expectativas, a gente precisa entender de forma clara como esses sentimentos estão reverberando dentro da gente. Quando estamos com raiva é como se os sentimentos ficassem todos inchados, um por cima do outro, e coisas que tem pouca ou nenhuma relevância ganham um tamanho que elas não têm.

Provavelmente, se você escolher esse momento para conversar com seu parceiro, você não só vai falar de coisas que nem importam tanto assim, como também terá muito mais chances de engajar em uma conversa “jogo de queimada”, mirando no parceiro para atingir, ao invés de focando em um objetivo para o bem da relação.  

Uma comunicação efetiva é feita depois de uma reflexão atenciosa do que você precisa comunicar para o outro.

Você já ouviu dizer que é preciso escolher suas batalhas? No esforço de se comunicar com o outro isso também é verdade. Talvez você tenha uma lista de críticas ou reclamações para fazer, mas será que você precisa endereçar todas elas? É muito difícil para qualquer um receber uma lista de críticas, especialmente no âmbito pessoal, e não enxergar isso como um ataque – e tudo que você não quer é voltar para a dinâmica ataque/defesa, não é mesmo? Então a sugestão é filtrar os sentimentos negativos para falar sobre o que é mais importante, mais grave, mais urgente, ou então sobre o que é a origem do problema para você, ou ainda, sobre aquilo que você acredita que pode ser mudado depois de uma conversa. Escolha suas batalhas. 

Não existe espaço para acusações na comunicação efetiva.

Eu acredito 100% que o conceito de “culpado” é uma bomba em qualquer tipo de relacionamento. Ao focar em achar culpados e apontar dedos, nos desviamos do foco, que é resolver o problema. Além disso, uma relação onde sempre tem que haver um culpado, tende a deixar as pessoas eternamente na defensiva – afinal, ninguém quer ser o errado da história. Passou da hora de a gente entender que tem situações chatas que simplesmente são – sem culpa de ninguém. Mas, se porventura, em uma situação ou outra ainda houver quem se identifique como um culpado de determinado conflito na relação, eu não acredito que isso traga coisas positivas.

Não estou falando de “passar a mão”, mas de substituir a lógica da culpa e punição pela lógica da responsabilização e ação.  Enquanto a culpa paralisa, a responsabilização provoca um movimento de mudança. A responsabilização costuma acontecer com mais facilidade em ambientes acolhedores, onde existe confiança e compreensão. Que tal se esforçar para criar esse ambiente nas suas relações e, ao invés de procurar culpados…

…tente olhar objetivamente as possíveis soluções para os problemas em questão.

Muitas vezes a atitude do outro em si não é o problema. Não são vacilos universais ou falhas claramente graves. Me arrisco a dizer que a maior parte dos problemas está em como uma pessoa específica e particular se sente sobre algo, ou quais consequências esse algo gera para essa pessoa particular e específica. Se as pessoas envolvidas não gastarem tempo e energia debatendo o mérito desses sentimentos, ou procurando culpados pela situação, mas sim em como gerenciar essas consequências, provavelmente o caminho para a felicidade é encurtado pela metade.

Uma sugestão de abordagem é: Essa situação (perceba, não é “sua atitude…”) gerou essas consequências ou sentimentos, que me deixaram desconfortável/infeliz/frustrada etc. Será que podemos fazer algo juntos para que isso não se repita, ou para que eu tenha ferramentas mais eficientes para lidar com isso de outra forma no futuro?

A comunicação efetiva pede uma escuta ativa

Comunicação é troca, e não adianta esperar que você vá aprender a colocar seus sentimentos, emoções, limites e expectativas do jeito mais lindo do mundo para o outro, e ele vai ouvir quietinho, sem respostas ou considerações, sem nunca ter demandas e decepções que ele queira endereçar a você. Como você se sentiria em uma situação onde só o outro pode falar? Relações assim são desbalanceadas, e tendem a deixar uma (ou as duas) parte(s) bem infeliz(es).

Não existe comunicação efetiva sem escuta ativa – sem ouvir verdadeiramente o que o outro tem a dizer, sem exercer empatia com o que está sendo colocado. Aqui vale a máxima que a gente aprende na pré-escola – trate o outro como você gostaria de ser tratado, ou no caso, escute o outro como você gostaria que ele te escutasse. Dê valor e trate com seriedade quando o seu interlocutor se colocar vulnerável para conversar com você. 

A comunicação efetiva não comporta joguinhos.

Resista ao impulso de usar de ironia e sarcasmo. Resista ao impulso de se fazer de vítima e manipular o outro. Resista ao impulso de “gelar” o seu parceiro e se fechar quando for criticado. Resista ao impulso de dar indiretas. A comunicação, para ser efetiva, precisa ser clara, direta, desobstruída. É preciso que ela seja sincera, e que chame as coisas pelo nome que elas têm, fale as coisas como elas são. Isso só acontece quando existe confiança, porque…

…uma comunicação efetiva não acontece se os participantes não estiverem dispostos a se colocarem vulneráveis para a conversa.

Nem sempre é fácil falar de desejos, expectativas, medos. É desafiador falar como e porque certas atitudes te machucam. Essas informações dão ao outro poder no relacionamento, e isso é uma coisa que acovarda a muitos de nós. Contudo, para aprofundar nossas relações, é preciso que se estabeleça um vínculo que confiança que permita com que as pessoas se coloquem vulneráveis na comunicação, especialmente na hora de falar sobre problemas e assuntos mais difíceis. Nada de desafiador nunca vai ser resolvido se cada uma das pessoas envolvidas quiser segurar todas as cartas na mão.

Saiba o objetivo da sua comunicação

Se você quer expor o que quer que seja porque o outro te machucou e você quer machucá-lo de volta, tem poucas chances de você ter uma comunicação efetiva – você talvez tenha vingança. Se você vai aplicar essas dicas para convencer o outro a agir como você quer que ele aja, também não deve conseguir uma comunicação efetiva – por outro lado, talvez consiga uma manipulação bem-sucedida. Se você pretende ilustrar para o outro como você está certo e ele errado, também não vai dar certo. A comunicação efetiva é um esforço de entender os problemas pelos diversos pontos de vista envolvidos, expor os problemas de forma clara e solucionar os problemas como um time. Se isso não estiver claro desde o princípio, como guia orientador para todos os outros passos, nada disso vai ajudar a facilitar a resolução dos conflitos na sua relação.

É claro que uma andorinha sozinha não faz verão. Voltando às metáforas esportivas, não adianta nada você pegar a raquete para jogar frescobol (um esporte onde a dupla precisa jogar junta para ganhar), se o seu par quiser usar ela para jogar tênis (um esporte onde um participante compete contra o outro). Muitas das relações profissionais, familiares, e até mesmo algumas amorosas, contam com uma diferença de hierarquia ou de dedicação que torna uma colaboração equivalente dos participantes em praticar uma comunicação efetiva praticamente impossível. Quando esse for o caso, talvez nem todas as dicas dessa lista sejam eficientes para melhorar a comunicação. Muitas vezes, liderar pelo exemplo é a única coisa que você pode fazer.