6 dicas para melhorar o relacionamento que aprendi lendo romances regenciais

Você sabe o que é um romance regencial?

São romances que se passam na Inglaterra no período em que o rei George III estava inválido e seu filho, o Príncipe de Gales, governou no seu lugar como príncipe regente, por isso o “regencial” do nome. Teoricamente esse período vai de 1811 a 1820, mas considera-se todo o período de 1795 até 1837, que difere muito pouco em termos de hábitos, costumes, política, moda e etc.  Esse gênero literário ganhou muita popularidade no último ano devido ao lançamento da série Bridgerton na plataforma de streaming Netflix. A série é produzida pela Shonda Rhimes (autora de sucessos como Grey’s Anatomy e Scandal) e é baseada nos livros de mesmo nome da Julia Quinn. Outras séries de livros famosas passados nesse período histórico são os livros Spindle Cove, da Tessa Dare, Os Ravenels, de Lisa Kleypas, O Clube dos Sobreviventes, de Mary Balogh, O Clube dos Canalhas, de Sarah MacLean, entre outros. 

Entre os anos de 2020 e 2021 eu li mais de 200 romances regenciais. Talvez você esteja se perguntando “nossa, mas você não tinha nada melhor pra fazer?” e a resposta é “provavelmente eu tinha sim”. Contudo, entretanto, todavia, enquanto o mundo acabava lá fora e as crises de ansiedade comiam aqui dentro, esses livros leves e despretensiosos me faziam feliz e relaxada. 

O que acontece quando você lê (literalmente) centenas de livros do mesmo gênero em um período tão curto de tempo é que você acaba percebendo o padrão desse tipo de história e, no caso dos romances regenciais, eu achei que esse padrão trazia boas lições sobre relacionamentos pra vida real. 

Então eu ordenei essas observações em 6 lições sobre amor que trago aqui para compartilhar com vocês hoje. 

1. Comunicação clara salva o dia

Romances regenciais acontecem sempre em dois pontos de vista – o da mocinha e o do mocinho. O maravilhoso dessa forma de contar histórias é que você vai vendo o conflito chegando, conforme os personagens tomam decisões que, inevitavelmente, vão dar numa tremenda falta de comunicação. Enquanto você acompanha a situação tomando proporções enormes, e conhece o ponto de vista de cada um, a única vontade possível é de entrar no livro, chacoalhar os personagens, e pedir que eles digam de forma clara o que querem, ou sentem, ou fizeram, um para o outro. Mas é claro, para além de escrever fanfics você não tem poder nenhum sobre os personagens, então você aguarda pacientemente (ou nem tão pacientemente assim) com que eles tenham o bom senso de se comunicarem adequadamente, e aí fazerem as pazes e seguirem para o felizes para sempre. 

Para a sua sorte, nos seus relacionamentos você tem total autonomia sobre como pelo menos um dos personagens vai agir (e sem depender de fanfics!). Então que tal tentar olhar para o conflito que por ventura você e seu par estejam vivendo, para as suas falas e atitudes em relação ao conflito, e pensar em como você pode melhorar a comunicação e antecipar a resolução do problema?

(Escrevi anteriormente aqui sobre dicas para se comunicar de forma mais efetiva nos seus relacionamentos)

2. Dizer é bom, mas mostrar é melhor

Você já ouviu falar de um clichê de romance chamado “o grande gesto”? É aquela hora nas comédias românticas que o mocinho literalmente corre até o aeroporto e invade o avião antes da mocinha ir embora ou que a mocinha se faz de boba na frente de todo mundo para o mocinho ver que ela não liga mais para o que ninguém vai pensar. Em romances regenciais, invasões à bailes, pedidos de casamento e defesas bem públicas do valor do par romântico a ser conquistado são exemplos bem comuns de grandes gestos.

Normalmente o grande gesto vem depois de outro clichê, “a noite escura da alma” (também conhecida como “fundo do poço”), quando tudo deu errado. Aí um dos protagonistas tem uma revelação e enxerga com clareza como ele falhou com o outro, e normalmente tem um tempo limitado para fazer algo a respeito antes de perder o outro para todo o sempre. 

A lição aqui é uma lição clássica das aulas de roteiro – show, don’t tell ou, em português, mostre, não diga. Demonstre seu amor, sua confiança e seu apreço pelo outro. 

(Mas, talvez, seja melhor demonstrar diariamente, em pequenos e grandes gestos, e não esperar por um grande conflito que jogue o relacionamento no fundo do poço e deixe você com tempo limitado antes de perder o parceiro para sempre. Só uma sugestão.)

3. Contexto é tudo

Uma das coisas legais sobre romances regenciais é que eles sempre tem uma pitada de mistério – normalmente o mistério se refere a algum evento na vida de um ou de ambos os protagonistas antes do tempo em que a história acontece. Com certa frequência temos um dado desde o começo do livro (por exemplo, pai de personagem morreu recentemente, ou personagem tem uma cicatriz misteriosa, ou ainda, personagem usa uma identidade falsa) e,  ao longo do desenvolvimento do romance, vamos recebendo pistas de qual é a história inteira que está por trás desse grande evento do passado. 

Por que isso é tão importante para a história? Porque quando a gente descobre o contexto do personagem, a gente descobre também o maior medo e/ou o maior desejo dele, e vai ser exatamente a superação disso que vai selar o relacionamento com o par romântico!

Da mesma forma, nossos medos e desejos nos nossos relacionamentos estão intimamente relacionados às nossas experiências passadas, seja com outros relacionamentos amorosos ou mesmo experiências com a família, e é quase inevitável espelhar isso nos nossos parceiros. 

Uma boa terapia ajuda a diferenciar o que é tomada do que é focinho de porco, mas, infelizmente, ainda não é uma prática acessível para todo mundo. Então, uma sugestão é tentar, com ou sem ajuda externa, avaliar seus medos e se esforçar para entender se realmente são provocados pelas atitudes do parceiro – É o seu parceiro que se comporta de uma forma duvidosa, ou você tem muito medo porque já foi traído no passado? O seu parceiro realmente te desampara, ou você tem uma reação exagerada porque se sentia desamparado pelos seus familiares?

Vale olhar também para o contexto do parceiro, e entender em que situações você terá de ser mais paciente, ou como pode assegurá-lo mais no lugar onde o calo aperta. 

4. Todo mundo gosta de gozar 

Romances históricos tradicionalmente tem um alto nível de erotismo, e com os romances regenciais isso não é diferente. No site para escritores da Harlequin, uma editora famosa de livros curtos de romance, eles indicam que romances históricos podem ter o nível mínimo ou absolutamente máximo de sensualidade, mas que química e tensão sexual são indispensáveis.

Eu arrisco dizer, que esse é um dos motivos pelos quais romances históricos são tão populares, especialmente com o público feminino. Eles são, muitas vezes, tratados como “pornô para mulheres”, o que inclusive gerou esse tweet revoltado e polêmico da autora de romances regenciais Tessa Dare.

 

Mas o que esses livros têm de tão especial? O que eles podem nos ensinar sobre sexo?

Basicamente, eles vão na contra-mão do que a mídia, em sua maior parte, nos mostra sobre sexo. Eles tem longas e bem descritas preliminares, eles têm sexo com intimidade e com diversos ritmos e em diferentes posições, e eles tem um monte de orgasmos femininos. Eles têm, em quase sua totalidade, personagens masculinos que se dedicam a aprender o que as mocinhas gostam na hora da intimidade. 

Eles nos lembram que preliminares são tão ou mais importantes do que a penetração e que todo mundo, inclusive as mulheres, gostam de gozar. E essa é uma boa lição para se ter em mente.  

5. A jornada individual importa

A regra é clara – cada membro do casal têm um objetivo próprio, que não é terminarem juntos. Às vezes o casal ficar junto vai ser unir o útil ao agradável, outras vezes vai ser o maior obstáculo para a realização do objetivo individual, que eles eventualmente vão entender que talvez fosse o que eles desejavam, mas não era o que precisavam. Seja como for, um romance onde ninguém quer nada além de estar com o outro não teria a menor graça. 

A lição para a vida real é uma que a gente esquece muitas vezes –  estar com outra pessoa não pode ser substituto para nossos objetivos e desejos pessoais. 

(Essa inclusive é uma das sugestões que dou no artigo com dicas para fazer um casamento dar certo)

É claro que, muitas vezes, sentimos que o outro é a nossa melhor parte. Se esse é o seu caso, sugiro o artigo da Vanessa com sugestões para uma auto-estima indestrutível.

6. Finais felizes não são finais

Quase sempre a fórmula se repete – final feliz, epílogo alguns anos depois. Se você tiver sorte, você ainda revê seus personagens favoritos como figurantes na história de outros casais. O ensinamento aqui é simples – finais felizes não são finais! 

Histórias, sejam elas livros, peças ou filmes, costumam acompanhar um ou mais personagens em uma jornada. Em romances, a jornada culmina na junção do casal principal (esse é o “final feliz”), mas o que a gente acompanha ao longo de toda a narrativa antes disso são os personagens aprendendo juntos como vencer um ou mais obstáculos, então, ao fim da história, nós sabemos que, juntos, eles são capazes de vencer dificuldades. Dessa forma a ideia do epílogo e/ou das aparições dos personagens em outros livros não é mostrar que eles nunca mais tiveram problemas, mas indicar que se eles tiveram ou vierem a ter, assim como fizeram na jornada que nós acompanhamos, juntos, eles dão um jeito, e vai ficar tudo bem.

Por que não importar essa lição para os seus relacionamentos? Se não existe um final feliz, mas sim um processo, o importante é a capacidade de vencer, juntos, os obstáculos. 

Agora que você já sabe as principais lições que eu aprendi lendo Romances Regenciais, que tal me sugerir os seus favoritos? Estou precisando urgentemente de títulos novos para a minha lista.