Dia da visibilidade bi: 10 coisas que você deveria saber

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O dia da visibilidade bissexual é comemorado nessa semana e por isso trouxemos um guia com coisas que você deveria saber sobre o assunto para ser considerada uma pessoa bem informada! 

 

Para começar:

1. O que é bissexualidade?

A ativista bi Robyn Ochs, dos EUA, define a bissexualidade da seguinte forma: 

“o potencial de sentir-se atraída — romântica ou sexualmente — por pessoas de mais de um sexo e/ou gênero, não necessariamente ao mesmo tempo, não necessariamente da mesma forma e não necessariamente nos mesmos níveis”.

De forma similar, a ativista Marilia Moscovich, daqui de São Paulo, define a bissexualidade como “um conceito que inclui toda forma de identidade sexual que rompe com a mononorma relativa a desejo/prática sexual, que diz que só é possível sentir atração sexual por um gênero por vez”.

A startup TODXS reforça esse caráter de conceito guarda-chuva:

Embora o imaginário social associe o termo Bi a pessoas que sentem atração ou têm relações pelos gêneros femininos e masculinos, ele vem cada vez mais sendo utilizado para abarcar outras pessoas não-monossexuais (que têm atração por mais de um gênero), como panssexuais, pessoas fluídas, flexíveis, entre outras.

2. Por que é importante falarmos sobre bissexualidade?

Nesse post aqui apresentamos 15 mitos e verdades sobre a bissexualidade e reforçamos a importância da representatividade bissexual para a saúde mental e bem estar da população bissexual. Pessoas bissexuais vivem um processo de adoecimento mental muito frequente, representando as maiores porcentagens das pessoas deprimidas e com ideações suicidas dentro da comunidade LGBT+.

É importante nos educarmos enquanto sociedade, para cuidarmos não só da nossa saúde mental, mas para também apoiar as pessoas da nossa comunidade, que muitas vezes nem sequer sabemos que são bissexuais. 

3. Bissexuais são invisíveis?

Um estudo da Universidade de Stanford de 2017 revelou que não é incomum pessoas adultas bissexuais viverem dentro do armário. 

“Apenas 19% dos que se identificam como bissexuais afirmam que todas ou a maioria das pessoas importantes em suas vidas conhecem sua orientação sexual. Em contraste, 75% de gays ou lésbicas dizem o mesmo. Cerca de um quarto dos adultos bissexuais (26%) não são assumidos para nenhuma das pessoas importantes em suas vidas, em comparação com 4% de gays e lésbicas. Aproximadamente metade daqueles que são bissexuais (54%) são abertos para algumas ou apenas algumas pessoas.” 

Existem muitos bissexuais à nossa volta que nem imaginamos, seja porque eles levam uma vida dentro do armário, com medo do preconceito, seja porque nossa bifobia nos impede de considerar a bissexualidade como uma sexualidade válida para pessoas em relacionamentos monogâmicos.

4. Qual o preconceito sofrido por pessoas bissexuais?

A bifobia é o nome que se dá ao preconceito específico vivenciado por pessoas bissexuais. A invisibilização das pessoas bis é uma forma de expressão desse preconceito na nossa sociedade, mas existem muitas outras formas de manifestação da bifobia. 

Nesse vídeo aqui o ativista trans bissexual Nick Thomás apresentou algumas das manifestações mais comuns da bifobia em sua vida, sendo uma delas justamente a invisibilidade ou apagamento.

 

 
 
 
 
 
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5. Me dá um exemplo concreto de bifobia na mídia?

Claro! Esse ano tivemos uma edição histórica do BBB 21, que protagonizou o primeiro beijo entre dois homens do reality, entre o pesquisador Gil do Vigor e o militante da UJS Lucas Koka Penteado.

Só porque Lucas não havia saído do armário para os participantes do reality antes de beijar o Gil, ele foi criticado pelos outros integrantes da casa que o acusaram de estar performando bissexualidade para chamar atenção: é a famosa crítica do “bi de balada”.

Nick também fez um excelente vídeo comentando em mais detalhes esse episódio de ataque bifóbico sofrido por Lucas no Big Brother Brasil, que o levou a abandonar o jogo pouco tempo depois.

 

 
 
 
 
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Esse exemplo de violência psicológica sistemática leva ao adoecimento mental de pessoas bissexuais, como falei no ponto 2. Coincidentemente ou não, o Lucas também assumiu estar se tratando de uma depressão.

6. Por que o Dia da Visibilidade Bi se comemora no dia 23 de Setembro?

Qualquer conquista de direitos para a comunidade LGBT é resultado de um longo e árduo trabalho de organização política. O primeiro dia da Visibilidade Bi comemorado no dia 23 de Setembro foi organizado por três ativistas bissexuais estadunidenses em 1999: Wendy Curry, Michael Page e Gigi Raven Wilbur.

Em uma entrevista para o Huffpost, a organizadora Gigi, que também é intersexo, afirmou: 

“Desde a rebelião de Stonewall, a comunidade gay e lésbica cresceu em força e visibilidade. A comunidade bissexual também cresceu em força, mas de muitas maneiras ainda somos invisíveis. Eu também fui condicionado pela sociedade a rotular automaticamente um casal que andava de mãos dadas como heterossexual ou gay”.

A data escolhida para a celebração foi 23 de setembro porque setembro é o mês de aniversário de um ícone bissexual adorado pelo trio, Freddie Mercury, e o dia escolhido foi 23 por ser o aniversário da Gigi, que até hoje segue seu ativismo político LGBT+.

7. O quanto avançamos de lá para cá?

Mais de 10 anos desde a primeira celebração da data, a cidade de Berkeley, na Califórnia, foi a primeira cidade dos Estados Unidos a incluir o Dia da Visibilidade Bi no calendário oficial da prefeitura, em 2012. No ano seguinte, o presidente Obama recebeu, no Dia da Visibilidade Bi, 30 ativistas bissexuais estadunidenses para debaterem questões políticas específicas do grupo, se tornando o primeiro presidente de Estado a participar de um evento exclusivamente voltado para a causa bissexual.

Neste ano de 2021, uma lei de autoria da vereadora Daiana Santos (PCdoB) oficializou a inclusão da data na prefeitura de Porto Alegre, aqui no Brasil.

8. Representação bissexual na mídia

O último relatório da GLAAD, que analisa a representatividade LGBT na TV, revelou que 28% das personagens LGBT+ nos programas transmitidos pela Amazon, Hulu e Netflix nos Estados Unidos são descritos como Bi+ (que inclui bissexuais, pansexuais, pessoas fluídas, queer, entre outros). Dessas personagens, 65 são mulheres, 33 são homens e 1 é trans não-binária.

O número total de personagens bissexuais aumentou pelo terceiro ano consecutivo, o que é resultado desse trabalho organizado de ativistas bissexuais ao redor do mundo.

Abaixo, trago algumas recomendações brasileiras de conteúdo disponível na internet sobre bissexualidade que tenho consumido nos últimos tempos:

Podcasts: LibreCast e Biscoito Podcast

Livro: 5 Mil Explicações

Contos: Tereza fala de Sexo

Comediante: Ademara

9. E a “bifobia internalizada?”

Como a bifobia se trata de uma estrutura de opressão da sociedade – e somos todos parte dessa mesma sociedade – é muito comum que nós, pessoas bissexuais, também reproduzamos comportamentos bifóbicos. 

Isso vai desde o nosso olhar social, quando vemos casais monogâmicos à nossa volta e não consideramos a possível bissexualidade dos membros do casal: invisibilizamos a nós mesmos e questionamos a nossa própria sexualidade o tempo todo.

Será que não somos só confusos? Será que somos heteros? Gays? Assexuais? É comum passar pelo “ciclo bi” com frequência e não nos consideramos “bi o suficiente” para “levantar bandeira”.

Nos silenciamos. Mas isso não passa da reprodução de preconceitos contra nossa própria existência: sua vivência é válida. 

Se posicione.

 

10. Acho que sou bissexual, e agora?

As sexualidades são categorias políticas e não uma essência individual. Não nascemos gays, lésbicas ou bissexuais, porque todas essas identidades são construções sociais que surgiram a partir do desenvolvimento do capitalismo, como explicado por John D’Emilio nesse texto.

Se você entende sua sexualidade como uma continuação desse debate político: organize-se coletivamente ao lado dos seus e dos nossos.

“É importante a gente pensar duas coisas sobre rótulos: a primeira é que não dizem apenas sobre quem a gente beija ou sobre quem a gente é; a segunda é que eles não são individuais, mas coletivos. Rótulos são sobre legado, sobre comunidade política, sobre luta por direitos.” – Nick Thomás