Como superar término de relacionamento: 19 dicas práticas

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Eu já ensinei aqui meu ritual infalível para superar amor não correspondido em apenas 8 passos, mas superar término de relacionamento é um pouco diferente: existe todo um processo de luto, né?

O ritual para seguir em frente após o fim de uma relação é mais demorado, eu diria que leva em média 6 meses para todo o ciclo de superação se realizar. Mas isso não significa que você vai passar um ano inteiro sofrendo: 

Estou aqui justamente para te ensinar como lidar com o fim do namoro da forma mais saudável e objetiva possível:

1. Recolhimento e planejamento estratégico

Passe um tempo sozinha para reorganizar sua vida no âmbito individual. É o que eu chamo de fazer um “planejamento estratégico”: se antes sua vida estava organizada em torno dos planos do casal, agora ela precisa ser planejada apenas em torno das suas vontades e necessidades. (Ou em torno de outros afetos, caso você seja uma pessoa não-monogâmica. Nesse caso, clique aqui para conferir o guia básico da não-monogamia).

Onde você quer estar daqui a 1 ano, 5 anos e 10 anos? E quais são as táticas que você vai usar para alcançar esses objetivos agora, desprendida desse relacionamento?

2. Vinte minutinhos de choro por dia durante 1 semana, podendo se estender a 1 mês 

Para fazer o planejamento estratégico, você precisa estar com a cabeça no lugar. Afinal, você vai traçar caminhos para a sua vida, objetivos que você quer alcançar num futuro a curto e longo prazo.

Mas para isso você precisa processar os sentimentos de luto, traição, fracasso, ou seja lá o que você possa estar sentindo que precisa ser superado. E sentimentos fortes a gente supera chorando – caso contrário a gente está apenas reprimindo, e não processando.

Inclua esse momento na sua rotina para chorar. Não engula nem segure choro. Deságue livremente durante esse momento estabelecido e irá se sentir muito melhor ao fim dessa semana. Se não for o suficiente, inclua outros momentos para chorar na sua rotina durante o mês…

Talvez não precise ser 20 minutos completos e nem diários depois de um tempo, mas o importante é que você chore tudo o que tiver para chorar por essa relação que acabou.

3. Terapia

Se você não estava fazendo terapia antes de terminar o relacionamento, agora é o momento ideal para começar: não deixe mais tempo passar sem um acompanhamento psicológico profissional – isso é de extrema importância. Términos, momentos de luto e de grandes mudanças na nossa vida são processos que devemos viver de forma responsável, assistidos emocionalmente por profissionais qualificados.

Não considere isso exagero: terapia não é só para quando você estiver se sentindo mal, é para nos auxiliar a elaborar nossos processos de forma correta. 

Você não vai querer descobrir daqui a um ano, quando estiver em um novo relacionamento, que coisas mal resolvidas da sua relação passada ainda estão sendo um obstáculo na sua vida, né? 

4. Não tenha medo de procurar um psiquiatra

A terapia é para nos ajudar a processar nossas emoções corretamente, mas se estivermos muito abaladas, pode ser necessário fazer uso de remédios por algum tempo. Não precisa ter medo disso: os remédios ajudam nosso cérebro a funcionar corretamente, uma vez que o luto e o término podem gerar traumas que afetam as funcionalidades normais do nosso organismo e precisamos ajudá-lo ao máximo durante esse período.

Se o seu psicólogo julgar importante uma visita ao psiquiatra, vá sem medo. Não seja negacionista nem anti-ciência: se um médico qualificado prescrever uso de remédios, acredite que ele sabe o que é melhor para você.

Algumas vezes remédios específicos não nos fazem tão bem assim, mas isso não quer dizer que o médico errou ou que ele(a) não sabe o que está fazendo. No momento do retorno, fale de qualquer desconforto que estiver sentindo com o remédio em questão e o(a) psiquiatra irá mudar o medicamento.

Entenda esse momento como algo temporário, mas extremamente necessário para superar o fim dessa relação.

5. Enfrente o medo da solidão, passe tempo de qualidade consigo mesma

Eu sempre fui uma pessoa meio viciada em relacionamentos. Não conseguia ficar sozinha, precisava sempre de alguém ao meu lado me dando todo o afeto do mundo. Mas isso não é saudável e com a idade fui sentindo a necessidade de lidar com esse medo da solidão: não quero estar em nenhum relacionamento porque eu não consigo ficar sozinha.

Quero estar em um relacionamento porque ele realmente deixa minha vida ainda melhor, entende? Para isso, precisei aprender a amar minha própria companhia e me sentir auto suficiente, o que nos leva ao próximo ponto:

6. Fortaleça sua auto estima

Eu diria que é impossível superar qualquer momento de grande dificuldade pessoal estando com a auto estima abalada. A nossa estima é essencial para que a gente se trate bem, se afastando de qualquer comportamento ou situação que nos prejudique emocionalmente.

Se a gente se ama, passamos a adorar nossa companhia e não dependemos do afeto de terceiros para nos validar, nem começamos um relacionamento por medo ou carência. (Veja aqui nosso artigo para saber quando estamos confundindo sentimentos de paixão com tesão e/ou carência)

Se você está com a auto estima abalada (e é normal que ela dê uma estremecida depois de um término, principalmente se não tiver sido você quem optou pelo fim do relacionamento) confira aqui nosso ritual de fortalecimento da auto estima.

7. Tome sol, fique bronzeada

Se possível, tome sol diariamente. Ficar bronzeada ajuda com a autoestima (quem não fica se sentindo mais bonita com a pele bronzeada e a marquinha natural do biquíni?), mas também ajuda com a nossa saúde mental. E precisamos ajudar nosso corpo ao máximo nesse processo: invista na Vitamina D!

8. Faça exercícios físicos

O objetivo é liberar endorfina, isso fará maravilhas para o seu bem estar! Muitas vezes entramos numa bolha de tristeza e auto destruição e é isso que queremos evitar. Cuide da sua saúde, se alimente bem, faça exercícios nem que seja 1 minuto de polichinelo por dia, caso você seja uma pessoa sedentária (o meu caso).

Mas se você já for uma pessoa ativa, busque se integrar a uma comunidade. Gosta de andar de bicicleta pela cidade? Se una a um grupo de ciclistas e aproveite para renovar seu ciclo social!

9. Renove o guarda roupa

Nessa fase de reorganização da nossa vida, de definição de novos planos, objetivos, táticas e estratégias, eu acho importante buscar uma nova estética pessoal, que represente esse novo momento da sua vida. A estética é algo importante para nosso senso de identidade e personalidade.

Você se sente representada pelas roupas que tem usado? O que elas dizem sobre você? 

Muitas vezes as roupas também estão atreladas a várias memórias antigas, momentos vividos com seu antigo parceiro, nessa vida que você está deixando para trás. Busque uma renovação completa, transforme isso num ritual: depois que você definir uma estética que te represente nesse novo momento, chame as amigas para uma tarde de compras nos brechós pela cidade!

10. Corte o cabelo

Existem clichês que são clichês por um motivo: eles funcionam. E não existe melhor momento para cortar o cabelo do que em um contexto pós-término (ou pós-rejeição amorosa de forma ampla).

Para mim, o cabelo é sagrado e deve sempre ser tratado num contexto ritualístico. Eu tenho um bordão conhecido entre meus amigos: “as pessoas sempre me conquistam pelo cabelo”. E é por isso que eu só corto meu cabelo com artistas (queers, LGBTs) e me coloco como uma tela branca diante deles. Nada de reproduzir um corte de cabelo tirado de revista ou de blogueira tendência do instagram: cabelo não pode ser transformado em mais um produto padronizado do capitalismo ou da indústria da beleza.

Ele é uma das maiores formas de expressão da nossa estética e pode causar muito impacto. Encontre um artista que você confie e se jogue nessa transformação! (Eu sou suspeita para falar sobre isso porque fui modelo de cabelo em Londres e cortei o cabelo com grandes diretores de arte da Toni & Guy, então conheço o trabalho dos melhores artistas do mundo!)

Caso você não esteja preparada para uma mudança muito radical, considere mudar alguma coisa como a cor, por exemplo. Pinte, faça mechas, corte uma franja. O importante é se livrar das pontas velhas que representam o relacionamento antigo e, de preferência, criar um visual completamente novo para te relembrar dessa nova etapa todas as vezes que você se olhar no espelho. 

E nada melhor do que receber um elogio todas as vezes que você sai de casa, não é mesmo? É isso que acontece na minha vida desde que me tornei modelo e comecei a cortar o cabelo exclusivamente com artistas! Um super segredo de manutenção da minha auto estima e acessível a todos, o que acham?

11. Comece um curso novo (ou se dedique mais a um hobby antigo)

Aqui, vale até começar a estudar um novo idioma no Duolingo. Qualquer coisa que você goste e que possa avaliar concretamente sua evolução com o tempo. Isso te ajuda a perceber que sua vida não está apenas seguindo, mas que você está evoluindo, crescendo, aprendendo coisas novas, se tornando alguém mais apta e desenvolvendo habilidades que você sempre quis ter! Para além de manter sua cabeça ocupada com coisas que te dão prazer e que exigem seu tempo e dedicação.

Aí nem dá pra ficar com a cabeça vazia lembrando de memórias que devem ser esquecidas, certo?

12. Queime memórias antigas

Por falar em memórias que devem ser esquecidas, que tal um ritual de fogo? Não é todo relacionamento que acaba de forma ruim, mas se for o seu caso e você precisar de ajuda para se livrar de um passado tóxico e traumático, eu recomendo fazer uma fogueira! 

Reúna cartas, presentes, roupas… O que você tiver do seu ex companheiro ou companheira e se livre de tudo, deixando apenas as cinzas! Mas faça isso num ambiente seguro e controlado, ok? De preferência ao ar livre, com um grande balde de água ao lado para emergências.

13. Passe tempo com as pessoas que te amam

Ok, é importante certo tempo sozinha para recolhimento e planejamento estratégico, mas nada de se isolar demais! Passar tempo com as pessoas que te amam é essencial para você lembrar que é de fato muito amada e querida por um número grande de pessoas.

E não é um desamor que te torna menos digna de afeto, ok? Nessa fase inicial eu peço socorro mesmo, sem medo. Digo aos meus amigos e familiares mais próximos que estou sofrendo e peço abrigo por 1 fim de semana ou 1 semana inteira, se for o caso. Aí vou migrando de casa em casa, quando a solidão apertar demais.

O intuito não é fugir da minha própria companhia, mas receber o afeto humano que eu preciso. Afinal, somos todos seres sociais e dependemos da nossa rede de afeto.

Falando nisso:

14. Reavalie sua rede de afeto

Que tal usar esse momento para reavaliar o estado da sua rede de apoio? Muita gente se isola quando começa um relacionamento monogâmico e se afasta dos amigos e da família, se fechando numa bolha do casal. A pandemia tornou isso ainda mais comum nos últimos anos, e é algo que devemos evitar ao máximo!

Se você está sentindo sua rede de afeto pequena e enfraquecida, esse é o momento de mudar as coisas: fortalecer laços antigos e buscar construir novos laços.

15. Considere uma noite de jogatina com a matriarca do clã

E que ótima forma de fortalecer os laços de afeto do que em uma noite de jogatina com os amigos ou familiares próximos? Na minha família, sempre que alguém passa por um término, nos reunimos todas as noites durante 1 semana para jogar baralho com a minha avó. É um ritual de cura que fazemos há algumas gerações, com muitos petiscos e risadas, e acho mais saudável do que a lógica de sair para superar relacionamento na mesa de bar. 

Na maioria das vezes, o bar funciona numa lógica de auto destruição e adormecimento dos sentimentos, não numa lógica de processamento saudável do término.

Além disso, o ambiente intimista de uma casa é mais recomendável do que o ambiente boêmio da vida noturna durante esse momento delicado, e promove uma solidez maior nas relações: são bases sólidas que você deve procurar agora.

(E se unir ao redor de anciãs, matriarcas como a avó ou a pessoa mais velha do seu clã é importante para a absorção de sabedoria que você precisa nessa hora de dificuldade!) 

16. Cuide de pets, plantas e crianças

Como é sua vida doméstica? Você tem animais de estimação? Tem plantas em casa que precisam do seu cuidado? O trabalho de cuidado é muito importante na nossa sociedade e comumente fica restrito apenas ao cuidado com nossos parceiros (ou filhos, se você for mãe).

Mas, caso não tenha filhos, busque trabalhar o cuidado de novas formas, agora que não tem mais seu parceiro(a). Se ofereça para cuidar de sobrinhos, primos ou afilhados. Compre uma planta, cuide do cachorro da sua amiga.

Ser responsável afetivamente por outro ser vivo, além de importante para nossa vida na sociedade, ajuda a nos sentirmos úteis e essenciais depois de um rompimento. (E nada mais gostoso do que o carinho de uma criança ou de um cachorrinho dengoso para curar nossas feridas emocionais!)

17. Componha uma música, se expresse artisticamente

A melhor coisa que eu já fiz depois de um término foi compor uma música, mesmo sem nenhum domínio técnico. Eu não canto nem toco nenhum instrumento, mas tenho amigos talentosos que convidei para a tarefa coletiva de me auxiliar na expressão da minha dor. E foi muito bonito ver todo meu luto e frustrações concretizados materialmente diante de mim, em uma peça artística que outras pessoas poderão apreciar e compreender sensivelmente.

Para além de compor uma música, que é algo mais complexo, o ato de escrever é fundamental. Processe seus sentimentos através da escrita diária, acompanhe seu progresso, organize seus sentimentos através de palavras!

Seja como for, não deixe de viver esse momento através da arte, essa é a maior ferramenta da cultura humana e devemos romper com a barreira entre artistas e não-artistas: todos nós podemos (e devemos) criar artisticamente!

18. Se organize politicamente

A organização política é essencial para que a gente se afaste das nossas dores individuais e coloque a vida em perspectiva: nossos problemas são tão pequenos diante dos problemas que enfrentamos coletivamente no mundo, sabe? No meio da política, aprendemos a ter disciplina, construímos confiança política e recebemos tarefas militantes a serem cumpridas, a depender do nosso nível de dedicação à causa/organização, que ocupam nosso tempo e fortalecem nosso senso de importância pessoal.

Num momento de término e rompimento, a construção coletiva política é um dos passos de cura. A qual causa você consideraria se dedicar de alma e coração?

 

19. Faça uma oração nos momentos de aperto

Independente da sua religião ou fé cristã, não é sobre isso que eu estou falando. A oração é um mantra, uma prece que te ajuda a passar por um momento de dificuldade. Pode ser uma conversa pessoal com Deus, pode ser uma reza pronta para Xangô ou Nossa Senhora. 

No meu caso, é a música Jorge da Capadócia, do Jorge Ben Jor. Eu passei a rezá-la todos os dias desde o meu último término no início de 2020. Em todos os momentos de dor e rejeição eu penso que é a minha prece se concretizando e mantendo longe de mim toda e qualquer pessoa capaz de me causar algum mal.

Gosto de orar não só em momentos de desespero, mas incluo esse momento no meu ritual matinal. Busque um mantra que faça sentido para você e se apegue a ele sempre que precisar se sentir fortalecida rapidamente!

Conclusão

Coloque todas essas 19 dicas em prática e eu garanto que notará uma melhora considerável após cada uma das etapas. Confie no processo completo, não escolha apenas uma ou outra dica para aplicar na sua vida: cada uma delas cumpre uma função específica no seu processo de cura. 

Quanto mais investida você estiver no objetivo de seguir em frente agora que seu namoro acabou, mais rapidamente você estará preparada para amar de novo e construir o seu felizes para sempre.