Como desenvolver uma autoestima indestrutível: 16 dicas práticas

We sometimes include products we think are useful for our readers. If you buy through links on this page, we may earn a small commission. Read our affiliate disclosure.

 

No último mês eu publiquei um artigo sobre como deixar de sofrer por amor em apenas 8 passos descrevendo um ritual que eu aplico na minha vida quando tenho meu coração partido. Esse ritual funciona muito bem para mim e sempre o recomendo a todas as pessoas que estão passando pelo luto de um término ou por uma rejeição amorosa, mas ter a autoestima fortalecida é um pré requisitos para a realização desse feitiço e é justamente com esse ponto que vejo a maioria das minhas amigas tendo dificuldade.

Por que é tão importante ter a autoestima forte?

A auto estima nada mais é do que a estima que você tem de si mesma. O quanto você se ama, se respeita, se cuida, se admira?

Não é possível superar um momento de tristeza com facilidade se a sua auto estima não estiver fortalecida, porque somos movidos pelos nossos afetos: priorizamos aqueles que amamos, somos generosos e carinhosos com nossos amores… E isso inclui nosso amor por nós mesmos!

Se não nos incluímos na nossa própria rede de afeto e não nos consideramos dignos desse auto amor, as consequências são sempre negativas e abalam diversos aspectos das nossas vidas, já que deixamos de nos tratar como merecemos ser tratados.  

Veja alguns comportamentos comuns em pessoas com a auto estima baixa ou abalada:

  • Desrespeito dos próprios limites

Quando uma pessoa não se estima, ela se coloca em situações desagradáveis. Você tem dificuldade em dizer não? Se sente incapaz de impor sua própria vontade? Esse tipo de desrespeito é muito prejudicial a nossa saúde mental e por vezes responsável por nos colocar em uma situação potencialmente tóxica e/ou abusiva. 

  • Descrença nas próprias capacidades

Quem tem baixa auto estima não confia no seu próprio potencial: a auto estima e a autoconfiança estão diretamente relacionadas. Ao não confiarmos nos nossos próprios talentos e capacidades, perdemos o tesão em criar, ficamos adormecidos, inertes. Por que se esforçar para fazer algo se acreditamos que iremos fracassar? Melhor nem tentar, certo?

  • Ver defeitos em tudo o que faz (Desconexão com a realidade)

O problema desse pensamento é que uma pessoa com baixa autoestima tem uma percepção distorcida da realidade e não reconhece o mérito nas suas conquistas e ações. Precisamos identificar os nossos defeitos, mas não podemos criar defeitos que não existem.

  • Ignorar as próprias conquistas.

Da mesma forma, precisamos identificar todas as nossas conquistas e nos darmos os méritos devidos por todas as graças alcançadas. Devemos ter um senso de justiça adequado e aplicar a mesma régua de julgamento com nós mesmos que aplicamos com as pessoas que amamos e admiramos a nossa volta

  • Não se permitir errar

Pessoas extremamente admiráveis também erram: ninguém é perfeito. Errar faz parte do processo natural de aprendizagem. Quando deixamos de agir por medo de errar, paramos de aprender.

  • Aceitar grosseria e desrespeito dos outros

Sabe aquele clichê “a gente aceita o amor que pensa que merece?”. Então, se a gente se acostuma a se tratar com desrespeito, achamos natural que outras pessoas nos tratem da mesma forma. Assim, é comum que pessoas com auto estima ruim fiquem presas em relacionamentos abusivos.

Quais são as causas da baixa autoestima?

O capitalismo é o maior responsável pela destruição coletiva da nossa auto estima, porque é muito mais fácil lucrar em cima de pessoas que acreditam merecer migalhas. É bom para o sistema manter o nível baixo, sabe?

Assim, as instituições que sustentam o capitalismo – em especial os conglomerados de mídia – são responsáveis por minar nossa auto estima criando padrões de beleza inalcançáveis e expectativas irreais de consumo. 

A falta de autonomia financeira, o difícil acesso à educação, a falta de perspectiva de futuro, o individualismo crescente que dificulta a formação de conexões sociais e de conhecimento das diversidades humanas… Somados a falta de educação sexual e de exemplos saudáveis de relacionamento amorosos reais: tudo isso vai fazendo com que desaprendamos a nos relacionar adequadamente com os outros e com nós mesmos.

Então como desenvolver e/ou fortalecer a auto estima abalada?

1. “Amar é um Ato de Coragem”

O primeiro passo é tomar uma decisão. Tudo começa com um comprometimento e para isso é preciso primeiro ter coragem, já dizia Paulo Freire. Você é corajosa o suficiente para se amar sem medo? Se a resposta for sim, lembre-se dela todas as vezes que estiver com a auto estima abalada: você escolheu se amar. Agora é só seguir com os demais passos e a realizar a sua escolha na prática.

2. Troque uma ideia consigo mesma

O diálogo é uma ferramenta poderosíssima de auto análise. O processo começa internamente e depende dessa reflexão ativa periódica e constante. Não espere estar na pior para começar refletir sobre como você chegou até esse ponto. Previna-se: busque sempre um tempinho na sua rotina para meditar sobre suas atitudes, seus pensamentos e sentimentos. 

O objetivo principal é buscar autoconhecimento. Afinal, ninguém é capaz de amar um desconhecido, certo? Podemos até nos apaixonar por uma invenção, uma projeção da nossa cabeça, mas amor de verdade é construído na base do familiar, daquilo que conhecemos como real, não de algo criado. Se você não se reconhece, se não sabe o que pensa, o que sente… Como será capaz de se amar?

3. Se esforce para se lembrar dos momentos de vitórias/sucesso

Pessoas com auto estima abalada, ao refletirem sobre seu dia/semana/mês (ou qualquer outro período de suas vidas), tendem a focar apenas nos momentos de vergonha, fracasso e decepção. Para fortalecer a auto estima é importante fazer um esforço consciente de nos celebrarmos por todas as grandes ou pequenas conquistas alcançadas. 

4. Faça registros para formação de memória

Essas reflexões devem ser registradas para que você não se esqueça delas no futuro. Escreva um diário, tenha um caderno de reflexões ao alcance das mãos e elabore em palavras o que você concluir dessas conversas consigo mesma. Outras formas de registro também valem, como manter uma pasta com fotos ou um bloco de desenhos: o importante é o ato de registrar, da forma que funcionar melhor para você. 

5. Revisite essas memórias periodicamente

O processo de registro já faz com que criemos uma memória mais duradoura, mas com o passar do tempo até essas memórias mais sólidas começam a se perder em meio a tantas reflexões novas. E aí de nada adianta registrar nossas conquistas se nunca paramos para revisitá-las, certo? 

Tenha um álbum com as suas memórias favoritas, com os momentos mais alegres e as conquistas das quais você mais se orgulha, para que você possa acessar com facilidade em um momento de crise e dificuldade.

6. Não se orgulhe apenas do que for excepcional 

Quando eu sofria de depressão, me celebrava por gestos tão pequenos quanto levantar da cama, tomar banho, me alimentar, etc. Havia vitória em todos esses pequenos gestos. 

Seja como for, reconheça vitórias na sua vida cotidiana e se orgulhe de si mesma por tê-las realizado diariamente. Não deixe de se maravilhar diante do que é rotineiro, tá bom?

7. Elabore sobre momentos de fracasso específicos

Fracassos existirão e é importante que existam, afinal, é assim que aprendemos a valorizar os momentos de sucesso. Se falhamos com algum objetivo pessoal, é importante entendermos o que deu errado nesse processo. 

Quando identificamos exatamente o que contribuiu para um erro, entendemos que aquele fracasso é consequência de uma ou mais ações específicas. Assim, entendemos o que devemos fazer para evitar a repetição desse mesmo erro no futuro: nos sentimentos capazes de acertar em uma próxima oportunidade (ou pelo menos de não errar da mesma forma) e esse horizonte nos fortalece. 

8. Reconheça a validação externa devida

Ninguém é autossuficiente e tá tudo bem: nossa auto estima é fortalecida a partir de validação externa sim, mas não é inteiramente sustentada nisso. O importante é que você reconheça em que medida você é validado pelos seus pares, pelas pessoas que você estima. 

Você é uma pessoa muito amada? Tem muitos amigos, muitos laços familiares fortes? As pessoas a sua volta costumam te admirar no trabalho, na escola, nos ambientes por onde você circula? Se você é amado e admirado, se permita sentir esse amor. Seja grato e reconheça seu merecimento pelo afeto recebido. Conheça o tamanho do reconhecimento que você tem na sua comunidade e se dê crédito por ele, por menor que ele seja.

9. Analise o seu ambiente social se afaste daquilo que for ruim

Não é raro que a baixa autoestima se manifeste como uma epidemia em alguns grupos sociais: pessoas com autoestima destruída comumente circulam em ambientes adoecidos, onde todo o grupo se comporta de forma tóxica e abusiva. Se esse for o seu caso, será preciso se afastar desse ambiente. Construa laços de afeto com pessoas saudáveis e de auto estima forte, rejeitando tudo que te faça mal.

10. Tenha cuidado com o uso das redes sociais

Os algoritmos das redes são nocivos para a nossa autoestima e servem à lógica do sistema: é importante desenvolver um relacionamento saudável com a tecnologia para que ela melhore a nossa qualidade de vida, e não o contrário. Faça uma limpa na sua lista, evite seguir influenciadores digitais e outros canais de publicidade. Siga pessoas reais, seus amigos, seus conhecidos, pessoas do seu convívio com as quais você possui uma identificação genuína e não uma identificação artificialmente fabricada.

11. Corte o cabelo com uma mulher sapatona/LGBTQ+

Eu falo isso para todos os meus amigos e sinto que nunca me dão a credibilidade devida. Mulheres sapatonas são (normalmente) excelentes representantes da contracultura, ou seja, elas combatem a hegemonia dos grupos capitalistas. Se cuidar e prezar pela nossa beleza estética é um ato de amor próprio e é importante que ele seja mediado por um valor justo daquilo que é belo – e não moldado por tendências da indústria.

12. Tire selfies

Precisamos apreciar aquilo que vemos quando olhamos no espelho. Pessoas com auto estima fraca frequentemente relatam ter dificuldade em admirar o próprio reflexo e por isso evitam fotos e espelhos. O exercício de tirar fotos em ângulos e poses diversas costuma ajudar nesse processo de fortalecimento da autoestima: conheça seu corpo, seu rosto, suas marcas, seu estilo… De que forma você aprecia sua imagem? Seja criativo, busque formas inovadoras de olhar para si e de construir um senso estético que te contemple. Quanto mais você exercitar, melhor conhecerá o ideal de autoimagem que te agrada.

13. Tenha hábitos saudáveis

Durma bem, se alimente bem, vá ao médico, faça exercícios físicos regularmente. Ver os impactos de uma rotina saudável no nosso corpo afeta diretamente nossa autoestima e sensação de bem estar. Ser saudável é um ato de amor próprio dos mais fortes!

14. Exercite também o seu intelecto

A auto estima intelectual também é importantíssima e muito fácil de ser desenvolvida, basta exercitarmos nosso pensamento crítico regularmente. Esteja sempre aprendendo algo novo, desenvolvendo e/ou aperfeiçoando um talento antigo e assim você sempre terá uma conquista nova para celebrar!

15. Flerte com pessoas que te interessam

Se sentir amado e desejado faz muito bem para a nossa auto estima, desde que ela não seja inteiramente sustentada nisso. Baixar aplicativos de pegação e conversar com pessoas que correspondem nosso interesse ajuda bastante nos momentos em que estamos nos sentindo para baixo. Afinal, se pessoas tão interessantes são capazes de se atrair por você (não só pelo aspecto físico, mas também intelectual), você deve mesmo ter boas qualidades, certo? E você sabe que qualidades são essas que se sobressaem em você?

16. Faça terapia

Caso a sua auto estima esteja abalada demais e você esteja com muita dificuldade em realizar esses pequenos atos de fortalecimento do amor próprio, é importante contar com o apoio de profissionais nesse processo. A terapia é uma ferramenta muito útil que torna cada uma dessas atitudes cada vez mais fácil de ser aplicada na nossa vida.

Lembre-se: dependemos de uma auto estima fortalecida para alcançarmos qualquer coisa positiva na nossa vida. Que nem o bordão conhecido de RuPaul, “se você não ama a si mesma, como poderá amar outra pessoa?”.