13 dicas para manter o casamento vivo depois da chegada dos filhos

Parabéns! Chegaram os bebês! E junto com eles as fraldas sujas, as noites em claro, as roupas com cheiro de leite azedo e… a morte do romance? 

Não necessariamente.

Uma pesquisa do ChannelMum.com” e do “The Baby Show” mostram que 1 a cada 3 casais têm sérios problemas depois da chegada dos filhos, e 1 em 5 se separa até após um ano da adição na família. Não há nada de surpreendente nesse dado – a chegada de crianças eleva, e muito, a tensão em um casal, e todos aqueles probleminhas que antes eram fáceis de ignorar, agora parecem gatilhos para a terceira guerra mundial.

Fortalecer o casamento antes da chegada dos filhos, preparando o terreno para esse momento único, maravilhoso, mas também desafiador, é uma boa ideia. Para isso, leia aqui dicas para fazer seu casamento dar certo.

Mas se as crianças já chegaram, você está no olho do furacão, e tudo indica que seu casamento será uma das vítimas, calma, respira, não pira.

Seguem aqui 13 dicas para manter o relacionamento vivo depois da chegada dos filhos

1. Intimidade 

Pessoas que passam pelo parto de um bebê têm restrições médicas por um tempo para relações com penetração, e, depois disso, pesquisas mostram que mais de 40% das mulheres perde a libido depois de ter um bebê. Muitos pais sentem uma mudança no desejo depois de ver a parceira sendo mãe, e sofrem também uma diminuição de libido ao se tornarem pais.

Casais frequentemente relatam menos vontade de engajar em relações quando estão com a atenção focada em seus bebês recém-chegados, e, invariavelmente, casais que têm sistema de suporte ou aqueles que só tem um ao outro, casais com desejo ou sem, todos, absolutamente todos, estarão mais cansados, com menos tempo e menos oportunidade para passarem um tempinho íntimo a sós. Se vocês estão seguindo as recomendações médicas, durante o primeiro ano de vida do seu bebê, ele irá dividir o quarto com vocês. Muitos casais, além disso, vão dividir também a cama com seus bebês.

Com tudo isso, muita gente pergunta “e a intimidade do casal depois de ter bebê?”. Uma coisa é fato – é preciso descolar a ideia de intimidade do casal com a ideia de sexualidade. Se antes de ter filhos o casal já se beneficiaria de entender que intimidade vai muito além da cama conjugal, depois da chegada das crianças isso é essencial. 

É preciso encontrar contatos e toques que sejam possíveis, bem-vindos, desejados. Talvez seja uma massagem no pé de quem está alimentando o bebê, ou um cafuné na pessoa que está segurando um neném adormecido. Talvez sejam as mãos dadas durante um passeio de carrinho, ou dormir abraçadinho. É importante falar abertamente sobre isso, porque a quantidade de toques desejados ou tolerados pelo cuidador primário de um bebê, especialmente se for uma mãe que amamenta, variam enormemente de acordo com a personalidade e experiências de cada um, mas mesmo para além de qualquer toque, para um casal que está conectado, a experiência de garantir, juntos, a sobrevivência de outro serzinho pode ser incrivelmente íntima.

2. Novos rituais 

Talvez vocês não tenham mais espaço tão cedo na rotina para maratonar a série favorita comendo pizza no fim de semana ou para a religiosa ida ao cinema às quartas-feiras. Talvez até uma refeição calma, regada a boas conversas, seja pedir demais por um tempo. Mas isso não quer dizer que a vida do casal depois da chegada de um bebê precise ser mantida em hold. É importante criar na nova realidade rituais que mantenham vocês conectados.

Talvez seja compartilhar um chá antes de dar mamá para o neném, ou um passeio de carrinho no fim da tarde. Talvez seja a hora do banho, sempre em família, ou a preparação para fazer o neném dormir. Talvez vocês tenham um sistema de suporte que pode ficar com a cria para garantir umas horinhas só para vocês uma noite na semana.

Seja como for, é importante que esses novos rituais não sejam mais uma fonte de estresse e cobrança, e sim momentos de conexão. Vale olhar com carinho para a rotina que está se formando, e procurar nela essas brechas. 

3. Aceitem o cansaço e se tenham como apoio

Vocês com certeza ouviram para descansar enquanto podiam enquanto esperavam a chegada do bebê de vocês, e provavelmente não conseguiram mensurar o quão exaustos vocês ficariam depois. É muita, muita exaustão mesmo. Não, vocês não estão fazendo nada de errado. Sim, é assim para todo mundo. A privação de sono é uma loucura, a demanda constante é insana, e todo mundo pira um pouquinho mesmo.

Aceitar que isso está acontecendo, que isso vai acontecer por um tempo, e que os dois, independentemente da divisão de tarefas que foi feita, estão mais cansados do que nunca estiveram na vida, é necessário. Quando a gente aceita o cansaço e para de lutar contra ele, a gente começa a racionalizar essa sensação, e, conscientes disso, é mais fácil evitar uma das maiores armadilhas de um casal com filhos pequenos, que é descontar um no outro os sentimentos desagradáveis que vem junto com a exaustão.

Isso não quer dizer que vocês estarão menos frustrados, mas possibilita com que vocês direcionem a frustração ao que ela é devida (muitas vezes, à situações incontroláveis), e não ao parceiro. Possibilita que você desabafe com seu parceiro sem que soe como uma cobrança ou acusação. Lembre-se que o seu par está nesse barco com você.

4. Divisão clara de tarefas 

Combinar de forma clara quais serão as atribuições de cada um é um bom jeito de evitar ressentimentos e frustrações. Sejam as funções mais básicas e claras da chegada de um bebê, como cuidar da alimentação, colocar para dormir ou trocar as fraldas, ou seja cuidar do neném para o outro poder tomar um banho mais tranquilo, ou mesmo tirar uma soneca, o combinado não sai caro. 

5. Flexibilidade para pegar mais quando precisar 

Mas, é claro, nem sempre é possível cumprir com o desejado. A maternidade e paternidade vêm aí para jogar os planos pela janela, e ensinar para a gente que às vezes é necessário seguir o fluxo. E depois da chegada de um bebê, muitas vezes isso quer dizer segurar um pouco as pontas quando tiver difícil demais para o outro, e contar com ajuda do par quando estiver difícil demais para você.

6. Peçam ajuda – um pro outro, os dois pro sistema de apoio

É fácil a gente achar que está fazendo mais do que o outro depois da chegada de um bebê, e se ressentir disso. Às vezes estamos mesmo fazendo mais, outras vezes, mesmo não estando, a gente sente que está. As vezes estamos fazendo bem menos que o outro, mas está sendo demais para a gente. Se esse é o caso, não caia na armadilha de esperar seu parceiro perceber, ou achar que é obrigação do outro vir ao seu resgate.

Não acumule esse ressentimento, enquanto espera que algo externo mude a situação. Peça ajuda. Pedir ajuda é muitas vezes desafiador, porque nos coloca em uma posição de vulnerabilidade, e se permitir ser vulnerável com o seu par é um voto de confiança. Idealmente, essa confiança será correspondida com honestidade e vontade de ajudar – ou seu parceiro vai pegar o que puder dessa carga para você se estabelecer, ou te dizer que também não está dando conta, e aí, juntos, vocês podem pensar em outras saídas, inclusive, a de contar com ajuda do sistema de suporte. 

7. Curtam juntos – passa rápido 

Pode ser difícil nos momentos de muito cansaço ou de muita demanda lembrar que crianças crescem rápido demais. Nos momentos em que a pressão estiver quase esmagadora, tente olhar para o que realmente importa – a criança que você e seu par estão criando, juntos. Curtir os pequenos marcos de desenvolvimento dessa pessoinha pode ser uma experiência de muita alegria e conexão.

8. Falem sobre dinheiro

A chegada de uma nova pessoa representa a chegada de um monte de gastos novos, e gastos que passam por decisões. Qual vai ser a marca de fralda que o bebê vai usar? E dos cosméticos? As roupas e móveis serão de segunda mão? As vacinas serão feitas na rede pública ou privada? E o pediatra? E a creche? Qual será o seguro-saúde do bebê?

Os responsáveis já tinham seguro de vida? Se não tinham, farão um agora? Essas e outras questões podem fazer muita diferença no quanto o bolso vai pesar, e é muito importante que essas decisões sejam tomadas em conjunto pelo casal, especialmente se um dos cuidadores for responsável pela aquisição dos produtos necessários, para que não haja mal-entendidos ou surpresas desagradáveis no fim do mês.

9. Definir em conjunto as coisas importantes 

Assim como é importante definir em conjunto as decisões que vão impactar a vida financeira da família, o mesmo se aplica para as decisões fundamentais sobre a criação do bebê. O uso de chupetas e mamadeiras, o método de sono escolhido, a forma de introduzir a alimentação, a relação com as telas, o encaminhamento para uma religião, a escolha de como abordar assuntos difíceis, as restrições de segurança, a abordagem parental…

Essas e outras escolhas precisam ser adotadas de forma consistente pelos cuidadores, e como passam muitas vezes por crenças e valores, podem representar problemas sérios se houver discordância entre eles. Decidir em conjunto a abordagem para as questões mais importantes da criação da(s) pessoinha(s) de vocês permite com que vocês saibam que estão agindo como um time, mesmo nos momentos em que só um de vocês está com a criança, e facilita com que vocês tenham confiança no estilo de parentalidade do seu parceiro.

10. Respeitar o jeito do outro de ser mãe/pai mesmo que seja diferente do seu 

É preciso entender que seu par vai ter uma forma de se relacionar com a criança de vocês que não necessariamente é igual a sua forma de se relacionar, e isso se estende para todas as formas de contato, desde o banho que cada um vai preferir dar, às brincadeiras, do jeito de fazer dormir, ao jeito de consolar de um choro doído.

É muito desafiador, especialmente para o cuidador primário, não tentar “ensinar” o parceiro o “jeito certo” de fazer alguma coisa com o bebê, mas controle esse instinto! Se vocês estão alinhados nas escolhas importantes (conforme falamos no item anterior), tente relaxar, e deixar seu par descobrir a relação dele com a criança. Da mesma forma que você aprendeu como funcionava para você (e não se engane, você não descobriu a fórmula mágica do seu bebê – você descobriu a fórmula mágica que funciona para você E o bebê, uma dupla), o outro cuidador também vai descobrir a fórmula mágica dele.

Fere a confiança de um casal, a autonomia do par que não é o principal cuidador do bebê e, honestamente, todas as relações envolvidas, quando um membro do casal age como se dominasse o conhecimento referente à criança.

11. Cada um ter uma relação única e uma relação de ambos com o bebê.

Muitos casais experimentam casos incontroláveis de ciúmes depois da chegada de uma criança. É uma das 10 razões mais citadas para aquele tanto de divórcios que as pesquisas mostram, e eu não sei vocês, mas eu já ouvi mais de uma vez amigos ou conhecidos reclamando que depois da chegada do bebê o cônjuge passou a ligar só para a criança. Naturalmente, um bebê exige atenção quase total dos pais – afinal, ele depende disso para a sobrevivência.

Contudo, acredito que, muitas vezes, essa situação é potencializada quando um dos pais se sente o único responsável, o único que sabe o que é melhor para o bebê. Respeitar o jeito de do parceiro de ser pai/mãe é um primeiro passo para lembrar  da independência das relações – são quatro. Uma sua e do seu parceiro, uma sua com o seu bebê, uma do seu parceiro com seu bebê, e outra de vocês três, enquanto família, e todas são importantes. Se cada um de vocês tem relações próprias com a criança, é bem mais difícil que um se sinta deixado de lado pela chegada desse novo membro.

12. Lembrar que são humanos 

Quando chega uma criança, é muito normal abrirmos mão de quem somos e focarmos na função que desempenhamos na vida dela. Depois, muitas vezes, nos preocupamos com nossa relação com o parceiro. Aí vem as preocupações com a vida profissional. Frequentemente deixamos de lado as nossas necessidades como indivíduos. Mas é preciso estar bem para cuidar de alguém que depende de nós, e é preciso estar bem para se relacionar de forma saudável.

Antes de ser mãe/pai, esposa/esposo ou profissional, cada um de nós é uma pessoa, e cuidar dessa pessoa é essencial e indispensável. Mesmo com a falta de tempo e a exaustão, é necessário combinar com parceiro e com sistema de suporte maneiras de ter um mínimo de tempo para nós mesmos. Para equilibrar o corpo, a mente, e lembrar que tudo mudou, mas você ainda é a mesma pessoa. 

13. Elogie seu parceiro

A chegada do primeiro filho traz muitas inseguranças para os recém-pais, desde “eu estou fazendo algo errado?” até “será que sou um(a) péssimo(a) pai/mãe?”. Criar o hábito de notar boas atitudes ou intenções no parceiro, ser grato, e externar essa gratidão, é uma boa forma de fortalecer a auto-estima do seu par em um momento muito delicado, e também fortalecer a união. 

Esse texto é feito pensando em casais que vão ter ou receber seus primeiros filhos, mas acho importante ressaltar que, no Brasil, segundo o IBGE, existem mais de 11 milhões de mães solteiras. A minoria das crianças vai crescer em um lar onde existem dois cuidadores, e mesmo nesses lares, as políticas de licença-natalidade são muito limitadas, tanto em caso de nascimento do próprio casal, quanto adoção. Uma das partes (a mãe, em casais heterossexuais) recebe entre 120 e 180 dias de licença maternidade, enquanto a outra parte (o pai, em casais heterossexuais) recebe de 5 a 25 dias, pela CLT. Fora da CLT a situação é ainda mais precária. Sejam 5 ou 25 dias, eles são insuficientes para que um cuidador dê conta sozinho de toda a demanda de um bebê. Quando se trata de uma mãe que pariu a criança, ela ainda nem retirou os pontos, parou de sangrar, ou se recuperou das mudanças hormonais do puerpério, ao final desse período. 

É impossível de ignorar que essa realidade, além de trazer uma natural sobrecarga da mãe, um afastamento da relação pai-criança, e até mesmo uma dificuldade na contratação de mulheres, cria também uma situação muito favorável para uma divisão pouco equilibrada de tarefas da criança e um balanço de relacionamento desigual entre os pais e o bebê. Ou seja, lutar por licenças-natalidade mais compreensivas, duradouras e igualitárias, é lutar diretamente pelo bem-estar do seu relacionamento. Quem diria, né?

Caso você se interesse pelas fontes consultadas para esse artigo, elas estão aqui:

GRIFFITHS, Josie. A fifth of parents break-up in the year after having a baby – because of dwindling sex life, lack of communication and constant arguments . The sun. 2019. Disponível em:  <https://www.thesun.co.uk/fabulous/10138332/fifth-parents-break-up-year-baby/>.  Acesso em [27 de novembro de 2021].

HOLANDA, Juliana Barreto de Lima, et al.In: Acta Paulista de Enfermagem. Escola Paulista de Enfermagem, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), v. 27, n. 6, p. 573-578, 2014. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/ape/a/Hxx3RG6kZs9M4G3V3HfZFzb/?lang=pt>. Acesso em [27 de novembro de 2021].

EFRAIM, Anita. Como funcionam a licença maternidade e a licença paternidade para casais homoafetivos. Especial para o Estado de S. Paulo. 2016. Disponível em:

<https://emais.estadao.com.br/noticias/comportamento,como-funcionam-a-licenca-maternidade-e-a-licenca-paternidade-para-casais-homoafetivos,10000077838>. Acesso em [27 de novembro de 2021]

CALDAS, Ana Carolina. Desemprego, medo e sobrecarga - a realidade de mães solo na pandemia. Brasil de Fato. 2021 . Disponível em:<https://www.brasildefato.com.br/2021/05/01/desemprego-medo-e-sobrecarga-a-realidade-de-maes-solo-na-pandemia>. Acesso em [27 de Novembro de 2021]